As pessoas estão confiando 100% nele, mas o ChatGPT não é 100% confiável!
DOI:
https://doi.org/10.30612/tangram.v9i1.19235Palavras-chave:
Ideologia da certeza, Conhecimento reflexivo, Inteligência Artificial, Chat-GPT, Modelagem Matemática, Educação Matemática CríticaResumo
Resumo: Neste artigo explora-se como a Educação Matemática Crítica (EMC) pode desafiar a ideologia da certeza na matemática, especialmente em relação ao uso de tecnologias, como a inteligência artificial (IA), exemplificada pelo ChatGPT. A ideologia da certeza considera a matemática como neutra, objetiva e infalível, ocultando suas conexões com questões sociais e políticas. Por meio de atividades de modelagem matemática, analisa-se como o conhecimento reflexivo pode desestabilizar essa ideologia, promovendo uma compreensão mais crítica da matemática e suas implicações. No estudo utilizou-se uma abordagem qualitativa, envolvendo estudantes de engenharia em atividades colaborativas de modelagem com o ChatGPT. Os resultados mostram que, ao integrar IA na modelagem, os alunos começaram a questionar a infalibilidade da matemática e a reconhecer suas limitações. Isso sugere que a EMC, aliada ao uso consciente de tecnologias, pode capacitar estudantes a desenvolverem uma visão crítica e reflexiva sobre o papel da matemática na sociedade. A pesquisa contribui para o entendimento de como a integração de tecnologias pode ser utilizada para promover a criticidade no ensino de matemática.
Downloads
Referências
Abassian, A, Safi, F., Bush, S. & Bostic, J. (2020). Five different perspectives on mathematical modeling in mathematics education. Investigations in Mathematics Learning,12(1), 53-65. https://doi.org/10.1080/19477503.2019.1595360
Araújo, J. L. (2012). Ser crítico em projetos de modelagem em uma perspectiva crítica de educação matemática. Bolema, 26(43), 839-859.
Blum, W. (2015). Quality teaching of mathematical modelling: What do we know, what can we do? In S. J. Cho (Ed.), Proceedings of the 12th international congress on mathematical education (pp. 73–96). Springer. ICME
Borba, M. C. (1992). Teaching Mathematics: Challenging the Sacred Cow of Mathematical Certainty. The Clearing House: A Journal of Educational Strategies, Issues and Ideas, 65(6), 332–333. https://doi.org/10.1080/00098655.1992.10114236
Borba, M. C. (2021). The future of mathematics education since COVID-19: humans-with-media or humans-with-non-living-things. Educational Studies in Mathematics 108(1-2), 385–400. https://doi.org/10.1007/s10649-021-10043-2
Borba, M. C., & Skovsmose, O. (1997). Ideology of certainty in mathematics education. For the Learning of Mathematics, 17(3), 17–23.
Borba, M. C., Souto, D. L. P., Cunha, J. F. T., & Domingues, N. S. (2023). Humans-with-media: Twenty-five years of a theoretical construct in mathematics education. In B. Pepin, G. Gueudet, & J. Choppin (Eds.), Handbook of Digital Resources in Mathematics Education (Springer International Handbooks of Education, pp. 1–23). Springer. https://doi.org/10.1007/978-3-030-95060-6_7-1
Creswell, J. W. (2012). Educational research: Planning, conducting and evaluating quantitative and qualitative research (4th ed.). Pearson.
Freire P. Educação como prática da liberdade. 34ª ed. São Paulo: Paz e Terra; 2011.
Hauge, K. H., Sørngård, M. A., Vethe, T. I., Bringeland, T. A., Hagen, A. A., & Sumstad, M. S. (2015). Critical reflections on temperature change. In: K. Krainer & N. Vondrová (Eds.), Proceedings of the Ninth Conference of the European Society for Research in Mathematics Education (CERME9, 4-8 February 2015) (pp. 1577-1583). Prague, Czech Republic.
Kerruish, E. (2024). Postdigital Teaching of Critical Thinking in Higher Education: Non-Instrumentalised Sociality and Interactivity. Postdigital Science and Education. https://doi.org/10.1007/s42438-024-00456-6
Lincoln, Y. S., & E. G. Guba. (1985). Naturalist Inquiry. Newbury Park, CA: Sage.
Lopes, A. P. C. (2023). Contrapondo a ideologia da certeza por meio do conhecimento reflexivo na modelagem matemática. Bolema: Boletim De Educação Matemática, 37(77), 936–957. https://doi.org/10.1590/1980-4415v37n77a01
Lopes, A. P. C. (2024). Uma pedagogia de apoio para condução de modelagem matemática de forma remota. Amazônia: Revista de Educação em Ciências e Matemáticas, 20(45), 108-125.
Lopes, A. P. C. (2025a). Pensamento crítico em modelagens com equações diferenciais: uma análise pela taxonomia MATH. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, 16(1), 1–24. https://doi.org/10.26843/rencima.v16n1a12
Lopes, A. P. C. (2025b). Mathematical modelling: a methodology favourable to the manifestation of critical mathematics consciousness. International Journal of Mathematical Education in Science and Technology, 56(10), 1934–1963. https://doi.org/10.1080/0020739X.2024.2378191
Lopes, A. P. C., & Borba, M. C. (2025). Agência matemática crítica na produção de modelos matemáticos com IA. Areté (Manaus), 24, 1–25.
Morais, M. S. de, Reis, F. S., & Lopes, A. P. C. (2025). A criticidade em Modelagem na Educação Matemática: Vozes das pesquisas. Revemop, 7, e2025010. https://doi.org/10.33532/revemop.e2025010
Skovsmose, O. (2014). Reflective Knowledge: Its Relation to the Mathematical Modeling Process. In B. Sriraman (Ed.), Critique as Uncertainty (pp. 263-280). Information Age Publishing.
Skovsmose, O. (2019). Crisis, Critique and Mathematics. Philosophy of Mathematics Education Journal, Aalborg, 35, 1-16.
Skovsmose, O. (2023). Critical mathematics education. Springer Cham.
Souto, D. L. P., Cunha, J. F. T., & Borba, M. C. (2025). Inteligência artificial em educação matemática (Vol. 1). Autêntica.
Tidwell, W. & Bennett, A. (2024). Undergraduate Mathematics Students Question and Critique Society Through Mathematical Modeling. Journal of Humanistic Mathematics, 14(1), 168-195.
Wardat, Y., Tashtoush, M. A., AlAli, R., & Jarrah, A. M. (2023). ChatGPT: A revolutionary tool for teaching and learning mathematics. Eurasia Journal of Mathematics, Science and Technology Education, 19(7), em2286.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 TANGRAM - Revista de Educação Matemática

Este trabalho é licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Os autores devem aceitar as normas de publicação ao submeterem a revista, bem como, concordam com os seguintes termos:
(a) O Conselho Editorial se reserva ao direito de efetuar, nos originais, alterações da Língua portuguesa para se manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores.
(b) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Brasil (CC BY-NC-SA 3.0 BR) que permite: Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato e Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material. A CC BY-NC-SA 3.0 BR considera os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- NãoComercial — Você não pode usar o material para fins comerciais.
- CompartilhaIgual — Se você remixar, transformar, ou criar a partir do material, tem de distribuir as suas contribuições sob a mesma licença que o original.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.



