O olhar de “sobreviventes”: fatores de permanência na formação de Professores de Ciências e Matemática
DOI:
https://doi.org/10.30612/tangram.v8i1.20510Palavras-chave:
Formação docente, Integração acadêmica e social, Educação superior públicaResumo
Este estudo investigou os fatores que levam estudantes de Licenciatura em Ciências da Natureza (Biologia, Física e Química) e Matemática da Universidade Federal de Alagoas a permanecerem em seus cursos. A pesquisa, de caráter quantitativo, envolveu 129 participantes e utilizou o Questionário de Permanência Acadêmica (QPA), aliado a dados socioacadêmicos, para identificar dimensões centrais da permanência. Os resultados revelaram que a permanência é influenciada por múltiplos fatores interligados: apoio familiar e social, motivação acadêmica, interesse pelas disciplinas, percepção de qualidade da formação, compromisso com o diploma, além das políticas de assistência estudantil que garantem suporte financeiro. Também se constatou que a pandemia intensificou desigualdades preexistentes e impactou negativamente o engajamento estudantil, mas, ao mesmo tempo, fortaleceu estratégias de resiliência e adaptação, reafirmando o compromisso dos estudantes com sua formação. O estudo avança na área da Educação ao deslocar o olhar da evasão para a permanência, destacando o ponto de vista dos que resistem às adversidades e concluem sua trajetória acadêmica. Essa perspectiva amplia o debate sobre políticas institucionais, mostrando que a permanência deve ser compreendida não apenas como dado estatístico, mas como experiência vivida, marcada por dimensões materiais e simbólicas. Conclui-se que garantir a permanência nos cursos de licenciatura demanda ações integradas entre apoio institucional, reconhecimento das diversidades de trajetórias e fortalecimento do papel social das universidades públicas.
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