Ações mentais matemáticas mobilizadas por estudantes no estudo de Limite de uma função
DOI:
https://doi.org/10.30612/tangram.v9i1.19876Palavras-chave:
Pensamento matemático, Limite de uma função, Cálculo Diferencial e Integral, Ações mentais matemáticasResumo
O presente artigo discute e apresenta as possíveis ações mentais matemáticas mobilizadas por estudantes na disciplina de Cálculo Diferencial e Integral, ao estudarem o conceito de Limite de uma função. O principal referencial teórico adotado é o Modelo Teórico de Ações Mentais Matemáticas, que articula pressupostos do Pensamento Matemático Avançado e das Neurociências Cognitivas. Este modelo contempla um conjunto de 49 ações mentais, possibilitando identificar processos cognitivos que, embora muitas vezes subliminares, são fundamentais para compreender, manipular e resolver problemas matemáticos. De natureza qualitativa, o estudo caracteriza-se como exploratório e descritivo. Os dados foram coletados de acadêmicos do curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal de Goiás, sendo analisadas 34 respostas, das quais três foram selecionadas para discussão. Os resultados indicam que os participantes mobilizaram diversas ações mentais matemáticas, mas foram limitados pela ausência de interação consciente entre essas ações ou pela falta de aprofundamento necessário. De modo geral, as ações mentais de Classificar, Conectar experiências anteriores (met-before), Interpretar e Representar mostraram-se recorrentes. Um estudante ativou um percurso formal e algébrico, dominando a ação de formalizar por meio da definição de épsilons e deltas. Em contraste, os outros dois recorreram a abordagens visuais e gráficas, mobilizando as ações de graficar e visualizar, mas enfrentando dificuldades em articular o entendimento intuitivo com a formalização matemática. Conclui-se que o estímulo intencional e integrado de múltiplas ações mentais, incentivando a transição entre registros algébricos e visuais, pode potencializar a compreensão conceitual e auxiliar na mitigação dos altos índices de reprovação e evasão na disciplina de Cálculo Diferencial e Integral.
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