Racionalidade, objetividade e neutralidade da Matemática: reflexões com professores formadores pretos ou pardos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30612/tangram.v8i1.19645

Palavras-chave:

Formadores de professores de Matemática pretos ou pardos, Educação Matemática Crítica, Teoria Crítica da Raça

Resumo

Neste artigo relatamos um recorte de uma pesquisa de doutorado, defendida pela primeira autora e orientada pela segunda. Temos como objetivo apresentar uma discussão sobre a racionalidade, a objetividade e a neutralidade da Matemática e os interesses a que servem, isso porque nas narrativas dos participantes, questionamentos sobre a Matemática abordada nos Cursos de Licenciatura em Matemática estiveram bastante presentes. Os dados foram produzidos sob o referencial da História Oral, a partir de entrevistas presenciais com cinco formadores de professores de Matemática pretos ou pardos, um de cada região do Brasil e interpretados à luz da Educação Matemática Crítica e da Teoria Crítica da Raça. Das narrativas dos participantes propomos reflexões sobre a necessidade de se considerar as identidades dos professores, a existência de outras práticas culturais matemáticas e de repensarmos sobre a prevalência de provas em avaliações e o modo como os erros são tratados em sala de aula. É necessário também desconstruir a Matemática como uma ciência endógena.

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Biografia do Autor

Ana Paula Ximenes Flores, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo

Doutora em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2024). Cursou Mestrado em Matemática Universitária pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas (2011), graduação em Licenciatura em Matemática pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (2009) e graduação em Bacharelado em Matemática Aplicada pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (2007). Atualmente é professora da Educação Básica, Técnica e Tecnológica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Tem experiência na área de Matemática, com ênfase em Formação de Professores, atuando como preceptora no programa Residência Pedagógica (2019), formadora no PNAIC (2018, 2014), orientadora online no REDEFOR (2011-2012). Atuou também na Coordenação do curso de Licenciatura em Matemática do IFSP Campus Guarulhos (2017-2019). Segunda secretária na gestão 2020-2023 da Sociedade Brasileira de Educação Matemática Regional São Paulo (SBEM-SP). Participante do Grupo de Pesquisa em Educação Algébrica (GPEA PUC-SP) e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Formação do Professor que Ensina Matemática (GEPEMFOP IFSP).

Barbara Lutaif Bianchini, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Possui graduação em Matemática - Licenciatura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1978), graduação em Matemática Bacharelado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1978), graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade de Franca (1988), mestrado em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1992) e doutorado em Educação (Psicologia da Educação) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2001). Atualmente é professora associada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Leciona na PUC-SP desde 1987, tanto em cursos de graduação, quanto no Programa de Estudos Pós-Graduado em Educação Matemática. Foi coordenadora do Programa PEPGEM de 2018 até janeiro de 2020. Orienta iniciações científicas, mestrados e doutorados na PUC-SP. Tem experiência na área de Educação Matemática, com ênfase em Educação algébrica, atuando principalmente nos seguintes temas: educação algébrica, educação matemática, álgebra linear, registros de representação semiótica e formação de professores. Além destas temáticas também pesquisa sobre a vinculação da Matemática em cursos de Engenharia. É membro da Red Iberoamericana MTSK desde 2024.

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Publicado

2025-12-28

Como Citar

Flores, A. P. X., & Bianchini, B. L. (2025). Racionalidade, objetividade e neutralidade da Matemática: reflexões com professores formadores pretos ou pardos . TANGRAM - Revista De Educação Matemática, 8(1), e025061. https://doi.org/10.30612/tangram.v8i1.19645

Edição

Seção

EDIÇÃO TEMÁTICA: EDUCAÇÃO MATEMÁTICA CRÍTICA