Para além do adultocentrismo: uma outra formação docente descolonizadora é preciso

Flávio Santiago, Ana Lúcia Goulart de Faria

Resumo


O presente artigo procura questionar a invisibilidade das crianças desde o nascimento enquanto sujeitos históricos, argumentando em torno da tese de que, por meio do adultocentrismo, o protagonismo dos meninos e das meninas é apagado na busca da construção e da legitimação de um modelo de indivíduo e de sociedade. Com o foco na Sociologia da Infância, buscamos apontar e superar os colonialismos adultocêntricos que perpassam as construções das infâncias, buscando compreender as relações de produção dessa forma de hierarquização e sua conexão com a educação.

Palavras-chave


Adultocentrismo. Crianças. Infâncias. Pedagogia descolonizadora. Diversidade cultural.

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