A relação conservadora entre público e privado na Educação Especial: análise de dados censitários

Taísa Grasiela Gomes Liduenha Gonçalves, Beatriz Fonseca Torres, Washington Cesar Shoiti Nozu

Resumo


As instituições especializadas se expandiram no Brasil devido à desresponsabilização do Estado com a educação da pessoa com deficiência, ampliando-se a participação filantrópica com o financiamento de instâncias públicas e privadas. A região metropolitana de Belo Horizonte (BH), apresenta marcos históricos na consolidação de ações filantrópicas no campo da Educação Especial. Diante disso, o objetivo desse estudo foi analisar na conjuntura recente (2007 a 2019) o financiamento das matrículas de estudantes da Educação Especial em BH. Para tanto, utilizou-se o banco de matrículas presente no censo escolar da Educação Básica disponibilizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Os resultados mostraram a ampliação das matrículas de estudantes da Educação Especial na Educação Básica, com  concentração e crescimento da deficiência intelectual. No que se refere ao financiamento, identificou-se um cenário de municipalização (48,7%)e ainda a conservação de instituições e classes especiais sob administração privada de categoria particular  e filantrópico.

 


Palavras-chave


Educação especial. Financiamento da educação. Censo escolar

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DOI: https://doi.org/10.30612/eduf.v10i30.11858

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