Escrita acadêmica e criticidade

Dina Maria Martins Ferreira

Resumo


De uma maneira geral, o gênero acadêmico-científicos surge a partir da necessidade de se divulgar o conhecimento produzido através do método científico, com uma discussão que exija também um arcabouço de discurso científico. No Brasil, a produção científica está intrinsecamente ligada à Universidade, especialmente, a pública, cuja produção e respectiva publicação estão vinculadas, boa parte, ao financiamento dado à pesquisa. Mas este quadro de ‘perfeição’ científica é atravessado pela realidade da quantificação, deixando, muitas vezes, o aspecto qualitativo de lado. A quantificação ganha força, na medida em se a produtividade de um pesquisador também é avaliada pelo número de trabalhos apresentados ou publicados em eventos e revistas de grande relevância no âmbito científico, sem que se considere o impacto do trabalho na área de atuação do seu autor. E a busca pelo cumprimento de metas numéricas, chamada por alguns de produtivismo, acaba se tornando mais importante que a relevância ou a criatividade dos conhecimentos que estão sendo expostos através da escrita acadêmica. Sob a lâmina afiada entre quantificação e qualificação, apresentam-se, nestes estudos, indagações de cunho ético e de sobrevivência enquanto pesquisador, ou seja, de exclusão e de inclusão do pesquisador no campo universitário.

Palavras-chave


Quantificação. Qualificação. Escrita acadêmica. Ética. Produtivismo.

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DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v11i27.5599

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