História da infância no Brasil: contribuições do processo civilizador

Gislaine Azevedo Cruz, Magda Sarat

Resumo


Partimos da premissa que as crianças sempre existiram, todo adulto inevitavelmente já foi uma criança, mas ao longo da história a percepção do que é ser criança, até quando se é criança ou o que é a infância tem sido alvo de intensos debates nas mais diversas áreas do conhecimento − Psicologia, Sociologia, Antropologia, Saúde, História e Educação entre outras. Este artigo recorte, de uma pesquisa concluída, tem como objetivo propor uma reflexão sobre os elementos que contribuíram para as mudanças nas relações entre crianças e adultos, bem como a criação de novos espaços de convivência e de aprendizagem, caracterizados pelas instituições de atendimento à educação das crianças que foram difundidos no Brasil a partir dos séculos XIX e XX. Para tanto, utilizamos teóricos da história da infância, história da educação e as teorias de Norbert Elias, buscando suas contribuições para discutir como as relações estabelecidas entre adultos e crianças foram gradualmente mudando ao longo dos processos de socialização e civilização dos indivíduos.

Palavras-chave


Educação. Processo civilizador. Infância institucionalizada.

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