O corpo da mulher como acumulação de sabedoria e resistência no poema “Virgem ”, de Luiza Romão

Pilar Lago e Lousa, Flávio Pereira Camargo

Resumo


A obra poética de Luiza Romão desvela a figura feminina sob a ótica da desconstrução da representação clássica, permeada de mitos e tabus que através dos séculos foram utilizados para educar e controlar opressivamente os corpos das mulheres. Sabendo que a disciplinarização do corpo feminino obedece a um estereótipo que serve a grupos que controlam e detém posições privilegiadas nas relações de poder, propomos não rechaçar o corpo, mas partir dele para desconstruir e dessacralizar sua representação, que atualmente está alinhada às instituições patriarcais vigentes. Neste sentido, este artigo tem como objetivo realizar um estudo acurado do poema “Virgem”, do livro Coquetel Motolove (2014), a fim de verificar como as ferramentas poéticas e literárias possibilitam a desconstrução da representação feminina tradicional e de que maneira o corpo feminino é visto como um lugar de acumulação de sabedoria e resistência. As análises serão efetuadas a partir das chaves interpretativas dos estudos feministas e de gênero. Para tal, serão utilizados os arcabouços teóricos de Avtar Brah (2006), Elaine Showalter (1993; 2004), Elizabeth Grosz (2000), Michelle Perrot (2003), Pierre Bourdieu (2002), Rebecca Solnit (2017) e Silvia Federici (2017), entre outros.

Palavras-chave


Poesia contemporânea. Autoria feminina. Estudos de gênero. Corpo e resistência. Luiza Romão.

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DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v12i31.8304

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