Uma ponte entre o real e o fantástico: leitura de um conto de Maria Isabel Barreno

Marcelo Pacheco Soares

Resumo


Esse artigo propõe uma leitura ao conto “A ponte”, da escritora portuguesa Maria Isabel Barreno, publicado em 1993. Para isso, fundamenta-se em teorias acerca do fantástico contemporâneo dos críticos Ana Maria Barrenechea, Jean-Paul Sartre e Jaime Alazraki, segundo as quais a manifestação desse gênero no século XX agencia uma compreensão do mundo hodierno e de seus contextos sociais e políticos, tornando assim o fantástico, não obstante a sua narrativa ilógica ou sobrenatural, uma eficiente representação mimética do real. Baseados nisso, verificamos nessa investigação do conto de Barreno uma discussão a respeito das insólitas decisões promovidas pelos círculos de comando do mundo burocrático oficial do Estado, que revelam o descompasso deste com a realidade dos seus cidadãos e da sociedade. Mais especificamente, deparamo-nos com uma análise a respeito da permanência (ou de sua impossibilidade), na contemporaneidade do Portugal dos anos 1990, das já passadas décadas de ditadura salazarista.

Palavras-chave


Fantástico do século XX. Conto português. Maria Isabel Barreno. Portugal contemporâneo.

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DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v12i29.7739

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