Os saberes escolares e o conceito de consciência histórica

Autores

  • Luis Fernando Cerri UEPG

Palavras-chave:

Transposição didática. Consciência histórica. Didática da história. Inovação educativa.

Resumo

Este ensaio teórico procura confrontar e buscar as intersecções entre os conceitos de saberes escolares e consciência histórica. Identificam-se bases ontológicas do primeiro conceito, com apoio nas reflexões de FREIRE (1987) e MCLAREN (1997), e revisão de alguns autores que o discutem em História. O conceito de saberes escolares é colocado em relação com o conceito de consciência histórica partindo do destaque de alguns aspectos da obra de CHEVALLARD (2009), considerando que a transposição didática é uma reflexão transitiva entre a didática da matemática e das outras disciplinas, com vantagens teóricas e metodológicas para a reflexão educacional. A consciência histórica, por sua vez, é contextualizada em sua repercussão atual na área do ensino de História com apoio em textos de BERGMANN (1989/1990), LAVILLE (2005) e RÜSEN (2007). Buscam-se por fim os pontos de contato entre as perspectivas, como o paradigma do ensino e aprendizagem como saberes em relação, em vez de transmissão e absorção de saberes, da alocação da ciência como instância da vida prática, em vez de instância separada. É reconhecido o papel tradicionalizante do conteúdo nos processos de transposição didática, o que constitui, ao lado da noção de modo tradicional de geração de sentido histórico, um apoio para a compreensão profunda das dificuldades de inovação no ensino, que estão na base das reflexões que contextualizam os conceitos de saberes escolares e consciência histórica.

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Publicado

04/09/2015

Como Citar

Cerri, L. F. (2015). Os saberes escolares e o conceito de consciência histórica. Educação E Fronteiras, 4(11), 110–125. Recuperado de https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/educacao/article/view/4367

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