Neofantástico em "Caiu uma estrela na minha sala", de Marcelo Moutinho

Jhennefer Alves Macêdo, Valnikson Viana de Oliveira, Luciane Alves Santos

Resumo


Um texto literário não é imutável, pois a escrita de uma obra se adequa ao tempo, no qual é escrita, e ao leitor, para quem se destina. As crenças, as dúvidas, as inquietações do receptor do texto literário se modificam e exigem, assim, uma adequação para os novos horizontes de expectativa. Inserido nesse contexto de constantes modificações, o gênero fantástico passou por diversas transformações desde sua de origem. O fantástico que, nos séculos XVIII e XIX, desestabilizou o mundo concreto e, aparentemente, organizado, hoje adquire novas feições e causa desconforto e perplexidade, visto que grande parte da sociedade contemporânea já compreendeu que as leis que regem o universo não são totalmente explicáveis. Nesse sentido, surge, na contemporaneidade, a denominada narrativa neofantástica, que se alinha à interiozação do medo, dos receios e dos temores típicos da modernidade. Com base nessas observações, o presente trabalho objetiva expor um breve panorama das principais diferenças que o neofantástico apresenta frente ao fantástico tradicional, assim como analisar como esses novos elementos estão presentes no conto “Caiu uma estrela na minha sala”, do escritor carioca Marcelo Moutinho. Para fins de análise e discussão, recorreremos aos apontamentos teóricos de Jaime Alazraki (1983; 2001), Tzvetan Todorov (2004) e David Roas (2014).

Palavras-chave


Neofantástico. Literatura brasileira contemporânea. Marcelo Moutinho.

Texto completo:

PDF

Referências


ALAZRAKI, J. En busca delunicornio: Los cuentos de Julio Cortázar. Madrid: Editorial Gredos, 1983.

______.Que ésloneofantástico? In: ROAS, D.(org.).Teorías de lo fantástico. Madrid: Lecturas, 2001, p. 265-282.

BORDINI, M. G. O temor do além e a subversão do real. In: ZILBERMAN, R. (org.). Os preferidos do público: Os gêneros da literatura de massa. Petrópolis: Vozes, 1987.

BOSI, A. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1975.

CESERANI, R. O fantástico. Tradução de Nilton Cezar Tridapalli. Londrina - PR: Editora da UFPR, EDUEL, 2006.

CHEVALIER, J. GHEERBRANT, A. Dicionário de símbolos: (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 13. ed. Tradução de Vera da Costa Silva et al. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999.

CORTÁZAR, J. Alguns aspectos do conto. In: ______. Valise de cronópio. Tradução de Davi Arriguci Jr. e João Alexandre Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2006, p. 147-163.

______. Do conto breve e seus arredores. In: ______. Valise de cronópio. Tradução de Davi Arriguci Jr. e João Alexandre Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2006, p. 227-237.

______. Do sentimento do fantástico. In: ______. Valise de cronópio. Tradução de Davi Arriguci Jr. e João Alexandre Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2006,p.175-179.

MOUTINHO, M. Caiu uma estrela na minha sala. In: ______. Ferrugem. Rio de Janeiro: Record, 2017,p. 59-64.

TODOROV, T. Introdução à literatura fantástica. 3ª ed. Tradução de Maria Clara Correa Castello.São Paulo: Perspectiva, 2004.

ROAS, D. A ameaça do fantástico: Aproximaçõesteóricas. São Paulo: Editora Unesp, 2014.

ZILBERMAN, R. Estética da recepção e história da literatura. São Paulo: Ática, 1989. (Série Fundamentos)




DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v12i29.7736

Licença Creative Commons
Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Brasil.