Revista Ñanduty

A revista eletrônica Ñanduty é o periódico semestral do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFGD, o qual possui área de concentração em Antropologia Sociocultural e três linhas de pesquisa, a saber: (1) Etnicidade, Diversidade e Fronteiras; (2) Etnologia, Educação Indígena e Interculturalidade; (3) Arqueologia, Etno-história e Patrimônio Cultural.

 

 

Qualis: B5 (Outros estratos)
Área do conhecimento: Antropologia
Ano de fundação: 2012
e-ISSN: 2317-8590
Título abreviado: Ñanduty
E-mail: revistappgant@gmail.com
Unidade: PPGAnt
Prefixo DOI: 10.30612

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PROPOSTA DOSSIÊ TEMÁTICO REVISTA ÑANDUTY (PPGAnt/UFGD) 2019/2

 

Saberes feministas: solidariedades Sul/Sul

(Submissão até 30 de novembro de 2019 e deverá ser feito exclusivamente pelo site da revista http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/nanduty).

Coordenadoras científicas do Dossiê:

Claudia Cristina Carvalho: Universidade Federal da Grande Dourados/ BRASIL.

Teresa Cunha Amal: Centro de Estudos Sociais- Universidade de Coimbra/Portugal.

Luciana Moreira: Centro de Estudos Sociais- Universidade de Coimbra/Portugal.

As Epistemologias do Sul, proposta de Boaventura de Sousa Santos (1995), partem de três premissas fundamentais: “Aprender que existe o Sul”; “Aprender a ir para o Sul”; “ Aprender a partir do Sul e com o Sul”, não se trata de um sul geográfico, mas, um Sul como metáfora do sofrimento humano injusto produzido pelos sistemas de opressão que são o capitalismo, o heteropatriarcado e colonialismo. É um Sul que também existe no Norte-global. As Epistemologias do Sul, que é também tributária da “Pedagogia do Oprimido” (FREIRE, 1974), nos convoca a trazer das ausências para as emergências aquilo que foi produzido como inexistência, silenciamentos, invisibilidades, pelo monoculturalismo da ciência moderna ocidental. Possibilita-nos ampliar conhecimentos para ler e captar as tensões e as desigualdades sexistas-colonial que existem e persistem e, perscrutar, nesse Sul, de complexas redes de opressão e distribuição desigual de poder a que estão sujeitos os povos dos SUIS não-imperiais (Ásia, América Latina, África).

Reconhecendo a pluralidade epistemológica do mundo, tanto no interior das ciências (a pluralidade interna da ciência), como na relação desta com outras ciências e outros (conhecimentos não-científicos/pluralidade externa das ciências) e, assumindo como raiz conceitual a ecologia de saberes numa leitura feminista das Epistemologias do Sul, opta-se por buscar reconhecer, valorizar e validar os saberes, as epistemes e as práticas sociais do mundo pensado e marcado pelas experiências de mulheres, mas também das masculinidades não hegemônicas e da diversidade sexual e de género (para além da matriz hetero(cis)sexual).

Assim, cabe destacar, de entre outros, o alerta de Simone Beauvoir sobre a construção histórica e social do papel das mulheres como fonte fundamental da opressão sobre elas exercida, ou o de Judith Butler (1990), ao chamar a atenção para os riscos de transformar as “mulheres” num grupo a-histórico, de características comum, reforçando estratégias binárias das relações de gênero. Por outro lado, a partir da crítica radical aos femininos hegemônicos de cariz nortecêntrico, que tem vindo a ser entendidos nos espaços academicos e além deles como a única voz; outras vozes se destacam a partir de diversos lugares de enunciação e de perspectivas diferenciadas como demonstram: CUNHA, 2014; DAVIS, 2016; FEDERICI, 2004; GARGALLO CELENTENI, 2014; LUGONES, 2014; OYEWÚMÌ, 1997, PLATERO, 2012; SEGATO, 2003; SUÁREZ BRIONES, 2014, entre outras/os autoras/os. Herdeiras de lutas históricas, e independentemente das suas geografias, a multiplicidade de vozes feministas, queer e contra o racismo e o capitalismo que caracterizam o tempo presente trazerem para o foco do debate as diferenças que as caracterizam, seja nos movimentos sociais, seja em associações ou nas universidades, com o intuito de contribuir para uma genealogia de feminismos cada vez mais plurais. Neste âmbito, se as dissidências diretas tem acontecido, por exemplo em relação ao feminismo neoliberal, a construção de solidariedades e pontes têm sido também uma constante.

Neste dossiê queremos dar especial destaque às solidariedades Sul/Sul, (na senda das Epistemologias do Sul, de Boaventura de Sousa Santos), de modo a visibilizar e melhor compreender os conhecimentos nascidos das lutas emancipatórias, das resiliências protagonizadas pelas mulheres e pelas pessoas que escapam à estrutura patriarcal e binária das relações de género. São objetivos deste dossier: a) contribuir para o desenvolvimento de um pensamento feminista que caminha par a par com as teorizações pós-coloniais, crítico, reflexivo e dialogante; b) arquitetar um espaço que promova conhecimentos insurgentes, que corrompa a obsessão colonial de invadir, ocupar, discriminar, conquistar e explorar; c) construir conhecimentos feministas fortemente contextualizados e que visam alimentar as solidariedades Sul - Sul.

Nessa conjuntura, as temáticas a seguir elencadas, e outras a elas vinculadas, são de especial interesse para este dossiê:

a) Saberes e cosmovisões feministas que resistem ao pensamento ocidental heteropatriarcal, às políticas conservadoras, aos ataques aos Direitos Humanos;

b) Análise e problematização da construção de solidariedades feministas Sul/Sul dentro e fora de espaços feministas, antirracismo, anticapitalismo e pela diversidade sexual e de género, enquanto forma de resistência e ferramenta de libertação contra as opressões várias que resultam do heterocispatriarcado capitalista;

c) As solidariedades feministas inter-raciais com estratégia de resistência contra a supremacia branca e o papel dos feminismos negros e indígenas para a consciencialização da intersecção entre género, raça e classe;

d) O papel do cuidado e da construção de estratégias de cuidado nos movimentos sociais, nas ONG’s, nos coletivos informais, nos centros de pesquisa, etc. e a importância de uma ética para o cuidado na construção e solidificação das solidariedades feministas unido saberes científicos e não-cientificos;

e) Metodologias feministas pós-coloniais e/ou queer de pesquisa que partam de múltiplos lugares de enunciação e anunciação, num exercício de auto-reflexividade, que não desumanizem nem as/os pesquisadas/es nem as/os colaboradoras/os da pesquisa.

 
Publicado: 2019-07-30 Mais...
 

PROPOSTA DOSSIÊ TEMÁTICO REVISTA ÑANDUTY (PPGAnt/UFGD) 2019/1

 

DIÁLOGOS EM TORNO DA BIOPOLÍTICA FOUCAULTIANA: CRUZANDO TEMAS, PROBLEMAS E PERSPECTIVAS


Proponentes: Profa. Dra. Ceres Víctora (PPGAS/UFRGS) e Prof. Dr. Esmael Alves de Oliveira (PPGAnt/UFGD).

PRAZO PARA ENVIO DOS TRABALHOS: 01 de junho de 2019.

 
Publicado: 2018-11-19 Mais...
 
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