“Clandestinas” em cena: testemunhos de aborto como práticas de resistência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30612/nty.v13i22.21095

Palavras-chave:

aborto, audiovisual, clandestinidade, documentário, testemunho

Resumo

O objetivo deste texto é fazer uma reflexão sobre testemunhos de pessoas que abortaram, dando destaque para as potencialidades e ambiguidades da proposta política marcada pelo “eu abortei/yo aborté”. Busca-se trabalhar com materiais que já passaram por um processo de mediação pública, com ênfase em produções audiovisuais com testemunhos de aborto clandestino. A metodologia adotada tem como base a análise sociológica fílmica, pontuando
que o estudo dos elementos visuais e sonoros possibilita observar os paradoxos, tensões e fissuras dos processos sociais. Para tanto, o texto analisa dois filmes produzidos em períodos próximos e com o mesmo título: Clandestinas, documentário brasileiro dirigido por Fadhia Salomão e lançado em 2014, e Clandestinas, documentário argentino dirigido por Andrea Aguilar e Ezequiel Altamirano e lançado dois anos antes, em 2012. Por fim, o texto conclui que a integração de elementos externos e internos das obras demonstram desdobramentos bastante diversos entre os filmes analisados, que estão em diálogo com as lutas e contradições sociais dos respectivos países.

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Biografia do Autor

Danielle Tega, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Professora da Faculdade de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFG. Integrante do Ser-Tão – Núcleo de Ensino, Extensão e Pesquisa em Gênero e Sexualidade (FCS-UFG), do Comitê de Gênero e Sexualidade da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), do Grupo de Trabalho Feminismos, Resistencias y Emancipación (CLACSO) e da Rede de Pesquisadoras e Pesquisadores sobre Aborto Pelo Direito de Decidir no Brasil (REPAD). Tem doutorado em Sociologia pela Unicamp e mestrado em Sociologia pela Unesp.

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Publicado

2025-12-15

Como Citar

Tega, D. (2025). “Clandestinas” em cena: testemunhos de aborto como práticas de resistência. Revista Ñanduty, 13(22), 457–498. https://doi.org/10.30612/nty.v13i22.21095

Edição

Seção

Resistências, confabulações e caminhos por justiça reprodutiva e aborto livre