O histórico e o fantástico em O mez da grippe

Naira de Ameida Nascimento, Rogério Caetano de Almeida

Resumo


O romance histórico e a literatura fantástica traçaram caminhos excludentes durante a segunda fase da modernidade, em pleno século XIX. Enquanto a primeira guiava-se pela margem segura dos documentos, o gênero fantástico denunciava a precária hegemonia daquela crença e apontava para a instabilidade do “real”. O romance latino-americano denominado romance do boom favoreceu, entre outras experiências ficcionais, a aproximação do histórico e do fantástico, ao confrontar um discurso centrado na voz do colonizador e cego às culturas e às tradições das sociedades colonizadas. O mez da grippe compartilha esse estatuto ao lidar com o registro documental e concomitantemente estabelecer uma atmosfera fantasmagórica, mas, diferentemente dos primeiros, ele constrói o insólito por meio de uma apresentação saturada dos registros documentais e pelas dissensões criadas entre eles.

Palavras-chave


Fantástico. Ficção histórica. O mez da grippe. Valêncio Xavier.

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DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v12i29.7760

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