Inventário da ausência em "O rosto", de Amilcar Bettega Barbosa

Raul da Rocha Colaço, Brenda Carlos de Andrade

Resumo


Neste trabalho, buscamos investigar o tema da ausência no conto “O rosto”, de Amilcar Bettega Barbosa (2002). Em outros termos, apreciamos a condição de ausência em seus distintos níveis, considerando-a como um fator essencial para o desequilíbrio do protagonista da narrativa, que, devido à privação de convívio humano e por sua ociosidade, concentra todos os seus esforços na captura de um rosto sem corpo que irrompe em sua residência. Para auxiliar essa análise, são úteis os mananciais de Remo Ceserani (2006), pela apresentação dos sistemas temáticos recorrentes na literatura fantástica; de Louis Vax (1965), por designar as partes separadas do corpo humano como um dos temas da literatura fantástica; de David Roas (2014), por discutir as diferenças entre o fantástico e o grotesco; e de Rosalba Campra (2016), por debater a questão da ausência, do silêncio, do não dito e dos vazios da obra fantástica. Como resultado, constatamos que essa experiência insólita, em vez de trazer conforto ao protagonista, instaura o desamparo, pois esse personagem finda perdendo, com a evasão do rosto, não só o contato com o diferente (o Outro), mas também a própria identidade, tornando-se um ser ausente de si mesmo.

Palavras-chave


Ausência. Forma do nada. Amilcar Bettega Barbosa. Fantástico.

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DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v12i29.7721

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