Literatura e cinema: diálogos possíveis

Danglei Castro Pereira

Resumo


O artigo discute um continum de tradição na literatura brasileira que possibilita a mobilização de temas entre literatura e Cinema em um contexto amplo de diálogos interculturais. Nossa preocupação central é apontar para a permanência de um processo de fragilização do humano como resultado das constantes revitalizações dos temas dentro da tradição artística. O diálogo intertextual e a recuperação temática em procedimentos estéticos em diferentes obras artísticas é o ponto de contato teórico que possibilita a aproximação aqui proposta. Nosso corpus de investigação compreende o conto “Ascensão e queda de Robhéa, manequim & robô” de Caio Fernando Abreu (2009); “O cobrador”, de Rubem Fonseca (1986) e os filmes Metrópolis, de Fritz Lang (1927) e Tropa de Elite, de José Padilha (2008). Entendemos que, cada um a sua maneira, conforme Friedrich (1991) mobiliza formas complexas de representação artística e provocam a atualização da precariedade humana em um continum dentro da tradição. É importante ressaltar que o perfil teórico adotado neste estudo pressupõe a compreensão da modernidade com “arte de conjugação”, conforme Paz (1972, 1994), o que garante um processo contínuo de transformação estética, mas paradoxalmente, a permanência e revitalização desta tradição ao longo do tempo histórico, aqui recortado como o século XX.

Palavras-chave


Metropólis. Robhéa. Intertextualidade.

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DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v11i28.6217

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