O eu e o outro na composição poética de um jovem estudante

Cristina Lopomo Defendi, Suely Corvacho

Resumo


 

A partir da proposta de Bakhtin (1997), que concebe o enunciado como a unidade da língua, o que pressupõe um enunciador, situação de enunciação, valores expressivos, uma resposta a enunciados já ditos, uma projeção da compreensão responsiva do outro, o artigo analisou um texto poético produzido por um aluno da quinta série/sexto ano de uma escola estadual de São Paulo, dirigido à mãe, com os seguintes objetivos: (i) verificar como o contexto interferiu no enunciado; (ii) identificar as marcas de subjetividade do autor, comparando seu texto a outros nos quais se apoiou; (iii) levantar possíveis relações entre marcas de subjetividade e discursos da vida cotidiana. Para identificar os recursos linguísticos e estilísticos absorvidos, cotejou-se o texto escolar e os que o aluno escolheu para se inspirar: um poema de um autor consagrado (“Para sempre”, de Carlos Drummond de Andrade), um texto poético produzido por um professor de Português, e uma cantiga portuguesa. Nos três textos, há em comum a homenagem à mãe. O resultado da análise aponta para uma escrita que busca o modelar, que se apropria de alguns recursos como forma de ter sua produção bem aceita e, quando se distancia dos “modelos”, resgata uma visão de mundo veiculada pela publicidade: um mundo harmonioso, um eu autocentrado e uma forma de sedução específica.

 


Palavras-chave


Recursos linguístico-estilísticos. Gêneros textuais. Análise textual. Intersubjetividade.

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DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v11i25.4884

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