Reprodução, de Bernardo Carvalho: uma fala desordenada como representação da instabilidade do real

Ricardo Magalhães Bulhões, Wagner Corsino Enedino

Resumo


No romance Reprodução (2013), de Bernardo Carvalho, por meio das falas fragmentadas dos personagens em cena, apresentam-se flashes de um mundo pautado pela incompreensão e incerteza. Ancorando-se principalmente nos estudos de Erich Auerbach (2001) e Tânia Pelegrini (2007) sobre os novos modos de realismo – suas reelaborações – nossa atenção se volta, neste artigo, para as novas configurações de feição realista que, por meio das suas especificidades narrativas, conseguem construir uma pseudorrealidade asfixiante, punk, que faz o leitor se aproximar de um eu totalmente esfacelado, vítima de uma superexposição de informações veiculadas pela internet. Como veremos, em Reprodução a história é contada de forma direta pelas falas do estudante de chinês e do delegado da polícia federal, como se fosse, de fato, a própria realidade, tornando-se persuasiva e ao mesmo tempo um painel renovado da sociedade atual.

Palavras-chave


Prosa contemporânea. Pseudorrealismo. Incomunicabilidade.

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