Chamada para publicação (Literatura - 1o semestre 2018)

Do fantástico e seus arredores. Narrativas do insólito em literaturas de Língua Portuguesa.

 

O volume 12, número 29 (1º semestre de 2018) da revista Raído pretende reunir estudos sobre o fantástico na literatura em Língua Portuguesa. A fortuna crítica do fantástico é ampla, assim como sua conceituação. Se para os organizadores da célebre Antologia da literatura fantástica (1940), Jorge Luís Borges, Adolfo Bioy Casares e Silvina Ocampo, são consideradas fantásticas narrativas tão díspares quanto como as de Júlio Cortázar, Guy de Maupassant e Chuang Tzu, para outros teóricos, como Tzvetan Todorov, o fantástico é um subgênero narrativo nascido em condições bastante específicas, no final do século XVIII, e que não resistiu à chegada do século XX. Edgar Allan Poe, E. T. A. Hoffmann, Prosper Merimée são representantes dessa definição mais restritiva de fantástico. Mas e quanto ao século XX, e autores como Franz Kafka e Murilo Rubião? Ou Gabriel Garcia Márquez e Alejo Carpentier? Faz sentido pensar o conceito de fantástico para esses autores? Ou seria mais adequado alinhá-los a conceitos específicos, como os de neofantástico (cunhado por Jaime Alazraki para definir narrativas como as de Júlio Cortázar) ou realismo maravilhoso (usado por Irlemar Chiampi para a produção do boom do romance latino americano)? Alguns rótulos, como os do realismo mágico e realismo fantástico, terminaram por se banalizar, devido ao seu uso indiscriminado. Faz-se necessária, então, uma revisão teórica? O realismo maravilhoso deve ser pensado como um desdobramento da tradição do fantástico ou como um novo subgênero, com seus próprios temas e especificidades? Essas são apenas algumas questões pressupostas pelo estudo do tema do fantástico na literatura. Assim, a proposta desse número da Raído é reunir estudos sobre o fantástico e conceitos afins – maravilhoso, realismo mágico, neofantastico, e mesmo ficção científica – aplicados a narrativas de Língua Portuguesa. Daí a opção pelo termo “insólito” no título deste dossiê, que se pretende mais abrangente. Deste modo, estamos diante de um vastíssimo corpus – de Álvares de Azevedo a José J. Veiga, de Mia Couto a José Saramago --- e de um amplo repertório teórico – Irene Bessière, David Roas, Remo Ceserani, Filipe Furtado, Alejo Carpentier, Irlemar Chiampi, entre tantos outros.

 Organizadores: Gregório Foganholi Dantas (UFGD) e Luis Fernando Prado Telles (Unifesp)

Prazo para envio dos artigos: 21 de março de 2018.

Publicação prevista para junho de 2018.