A governança global de psicoativos em “crise”: diagnósticos do presente e desafios à frente
DOI:
https://doi.org/10.30612/mones.v14i28.19327Palavras-chave:
governança internacional, psicoativos, proibicionismo, políticas de drogasResumo
A normativa dos principais tratados internacionais sobre psicoativos reflete a preponderância da visão proibicionista. No entanto, nas últimas duas décadas, as falhas nas práticas proibicionistas em promover, como consta nas principais convenções que constituem a governança nessa matéria, um mundo “mais seguro” e “livre das drogas” têm sido crescentemente denunciadas, configurando um quadro repleto de contestações, bem como de discussões de caminhos alternativos. Valendo-nos da análise de fontes primárias e secundárias, nosso objetivo neste artigo é explorar algumas perspectivas da literatura sobre governança internacional que podem contribuir para especificar a caracterização atual e os possíveis rumos da governança dos psicoativos.
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