O clamor da diferença letal: educar em estado de exceção

Autores

  • Fernando Pocahy UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.30612/nty.v6i8.8814

Palavras-chave:

Gênero. Estado de exceção. Universidade pública.

Resumo

O presente ensaio consiste em um testemunho analítico sobre os acontecimentos da política brasileira e fluminense pós-golpe. Em um movimento de reflexividade-ética, examino a repercussão direta da atual razão de estado na prática cotidiana de uma universidade pública. O tom da narrativa consiste ainda de um clamor face à letalização cotidiana da diferença e seu impacto na agenda de pesquisa. Para isso, em modo autobiográfico, apresento algo dos desafios éticos, estéticos e políticos vivenciados na atual conjuntura. Aliando-me teórico-metodologicamente às cartografias discursivo-desconstrucionistas presentes nos estudos trans/feministas e queer, notadamente as apostas pós-críticas dos estudos de gênero e sexualidade em interseccionalidades na educação, localizo meus (des)caminhos para pensar a mim mesmo face ao enquadramento normativo de nossas lutas atuais, tomando as ferramentas do ideal democrático (e sua ampla possibilidade de ampliar seus próprios sentidos) como plataforma de produção da experiência do conhecimento.

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Publicado

28/09/2018

Como Citar

Pocahy, F. (2018). O clamor da diferença letal: educar em estado de exceção. Revista Ñanduty, 6(8), 9–22. https://doi.org/10.30612/nty.v6i8.8814