Gestão democrática da escola pública: propostas à reforma educacional em Angola

Isaac Paxe

Resumo


Pensamos que a escola pública angolana no contexto da sua reforma deveria centrar a sua discussão sobre a eficácia dos processos de operacionalização, em atividades na escola, dos fins propostos para a educação, bem como a natureza da ideia de organização e gestão do trabalho escolar. Este texto visa a abordar esses aspectos, porque não foi a opção da escola que desvirtuou a eficácia da política educacional anterior, mas a maneira como se operacionalizou a mesma na realidade da escola. Devido os desafios de transição de uma sociedade de pretensões socialistas de partido único para uma democracia multipartidária, os fins da educação propostos que, entre outros, visam à formação de cidadãos para o agir democrático, requerem uma realidade escolar que se afaste da cultura do centralismo e do autoritarismo que vigorou nas escolas públicas angolanas no período anterior ao da reforma educativa proposta. Mostramos com Pistrak que mais do que a sua declaração formal, os fins das escolas devem ser adequados à natureza do trabalho da escola e a expectativa do trabalho dos alunos. Para isso, requer-se uma cultura que facilite o trabalho coletivo, cultura essa desenvolvida e facilitada com os processos de gestão democrática julgada como a possibilidade da apropriação do processo de educação como uma questão coletiva.

Palavras-chave


Educação em Angola. Reforma educativa. Gestão democrática.

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