O local e o global e as perspectivas teóricas da comparação para os estudos em torno da formação do professor

Luciana Cristina Porfírio

Resumo


O presente texto é o desdobramento de um capítulo de tese de doutorado que se encontra em vias de conclusão e seu objetivo é discutir algumas possibilidades de análise no campo da formação docente tendo os estudos comparados como perspectiva teórico-metodológica de análise. As tão propagadas dinâmicas sociais em um mundo globalizado e a reforma educacional dela decorrente tem colocado a formação de professores como a solução para o problema da qualidade na educação. Em linhas gerais, o campo da educação comparada tem sido abordado por duas tradições investigativas, a primeira representada por alguns autores vinculados à universidade de Standford, os quais se destacam Meyer e Ramírez comumente citados nos trabalhos como ‘neoinstitucionalistas’, e a segunda, normalmente representada por Schriewer que se opõe à primeira por não levar em conta a idiossincrasia cultural e não salientar a variedade das estruturas estabelecidas pelas inter-relações existentes na constituição histórica de cada nação. Nesse sentido, busca-se indicar que ambos os estudos são necessários, porém, para as análises em âmbito local, as teorias que advogam regularidades, padronização ou subordinação do nacional ao internacional não são suficientes para entender a complexidade destes processos. Trata-se de perceber que no interior destes há uma circularidade de sujeitos, atores educacionais e textos (os estrangeiros indígenas), que apesar de possuírem referencias globais (externalizações), em âmbito local, se apresentam de forma sincrética por meio da seleção e apropriações que foram sendo realizadas de acordo com a realidade vivenciada cada localidade.

Palavras-chave


Globalização. Formação de Professores. Estudos Comparados. Estrangeiro Indígena. Externalizações. Sincretismo.

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