História do currículo: psicologias, tecnologias e regulação

Autores

  • Rosemeire de Lourdes Monteiro Ziliani [UFGD]

Palavras-chave:

Currículo. Disciplina. Regulação social. Saber-poder.

Resumo

O ensaio buscou elencar alguns dos elementos centrais para pensar a história do currículo e tomá-lo como construção e artefato histórico-social. As psicologias constituíram-se em conhecimentos importantes para a educação escolarizada, especialmente a de massas, ao oferecerem as tecnologias para a organização do espaço-tempo escolar. Como apoio teórico-metodológico foi utilizado estudos do currículo inscritos na perspectiva denominada “pós-estruturalista”. A noção de regulação constitui-se conceito central na análise permitindo pensar o currículo como estabelecendo regulação em dois níveis: primeiro, estabelecendo restrições sobre o que deve ser conhecido; uma forma de “seleção”; e, segundo, evidenciando que essa seleção de conhecimentos extrapola a definição das informações válidas e implica o estabelecimento de certas “regras e padrões” que dirigem os indivíduos ao produzir seu conhecimento sobre o mundo. A principal conclusão refere-se à necessidade de historicizarmos, não somente a escola enquanto instituição, mas o processo de escolarização e nossas práticas como professores e pesquisadores, tomando o currículo como objeto que possibilita pensar sobre a maneira como estamos escolarizando, produzindo conhecimentos, elegendo métodos que, no fim das contas, servirão de ferramenta também aos estudantes para pensar seus mundos e a si próprios.

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Publicado

2012-01-13

Como Citar

ZILIANI, R. de L. M. História do currículo: psicologias, tecnologias e regulação. Educação e Fronteiras, Dourados, v. 1, n. 3, p. p.100–113, 2012. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/educacao/article/view/1519. Acesso em: 2 fev. 2023.

Edição

Seção

Dossiê