As redes sociais virtuais como política de escala para candidatas marginalizadas? O caso das eleições no Distrito Federal em 2022
DOI:
https://doi.org/10.5418/ra2025.v21i44.20029Palavras-chave:
representação política, mulheres negras, redes sociais, política de escala, geografia eleitoralResumo
O crescimento do uso das redes sociais virtuais tem ganhado destaque nos estudos eleitorais pelo seu potencial de alterar dinâmicas tradicionais de campanha. Parte-se da hipótese de que essas plataformas podem funcionar como política de escala, ampliando o alcance espacial de candidaturas historicamente alijadas das estruturas partidárias. A pesquisa baseou-se em entrevistas com candidatas ao cargo de deputada distrital em 2022, survey com eleitores e netnografia dos perfis nas redes sociais. Os resultados mostram que, embora tenham ampliado a visibilidade de algumas campanhas, não houve relação direta entre o uso intensivo das mídias e o desempenho eleitoral, o que reforça a importância das estratégias tradicionais. As redes se mostraram eficazes principalmente para candidaturas com projeção prévia, sem ampliar significativamente o alcance de grupos marginalizados ou candidaturas estreantes. Conclui-se que a academia precisa refletir com mais complexidade sobre o papel das redes sociais, evitando tratá-las como solução mágica para a democracia.
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