As redes sociais virtuais como política de escala para candidatas marginalizadas? O caso das eleições no Distrito Federal em 2022
DOI :
https://doi.org/10.5418/ra2025.v21i44.20029Mots-clés :
representação política, mulheres negras, redes sociais, política de escala, geografia eleitoralRésumé
O crescimento do uso das redes sociais virtuais tem ganhado destaque nos estudos eleitorais pelo seu potencial de alterar dinâmicas tradicionais de campanha. Parte-se da hipótese de que essas plataformas podem funcionar como política de escala, ampliando o alcance espacial de candidaturas historicamente alijadas das estruturas partidárias. A pesquisa baseou-se em entrevistas com candidatas ao cargo de deputada distrital em 2022, survey com eleitores e netnografia dos perfis nas redes sociais. Os resultados mostram que, embora tenham ampliado a visibilidade de algumas campanhas, não houve relação direta entre o uso intensivo das mídias e o desempenho eleitoral, o que reforça a importância das estratégias tradicionais. As redes se mostraram eficazes principalmente para candidaturas com projeção prévia, sem ampliar significativamente o alcance de grupos marginalizados ou candidaturas estreantes. Conclui-se que a academia precisa refletir com mais complexidade sobre o papel das redes sociais, evitando tratá-las como solução mágica para a democracia.
Téléchargements
Références
ADAMS, P. C. Protest and the scale politics of telecommunications. Political Geography, v. 15, n. 5, p. 419-441, junho 1996. DOI: https://doi.org/10.1016/0962-6298(95)00088-7
AKOTIRENE, C. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro, 2019.
AMES, B. Os entraves da democracia no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2003.
ARAÚJO, C. Cidadania democrática e inserção política das mulheres. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 9, p. 147-168, 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-33522012000300006
ASH, J.; KITCHIN, R.; LESZCZYNSKI, A. Digital turn, digital geographies? Progress in Human Geography, v. 42, n. 1, agosto 2016. DOI: https://doi.org/10.1177/0309132516664800
AZEVEDO, D. A. D. A necessidade da geografia eleitoral: as possibilidades do campo. Geousp espaço e tempo, São Paulo, v. 27, n. 2, 2023. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2023.204649
BACKES, A. L. Mulheres na política: uma análise internacional. Câmara Legislativa, Brasília, 2021.
BERNARDES, A. Como pesquisar as redes sociais virtuais em geografia? Estudos Geográficos: Revista Eletrônica de Geografia, v. 18, n. 2, maio 2020. DOI: https://doi.org/10.5016/estgeo.v19i2.13979
BOLOGNESI, B.; RIBEIRO, E.; CODATO, A. Uma Nova Classificação Ideológica dos Partidos Políticos Brasileiros. Dados, Rio de Janeiro, v. 66, n. 2, p. 1-31, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/dados.2023.66.2.303
BOWLER, S.; DONOVAN, T.; SNIPP, J. Local sources of information and voter choice in state elections: Microlevel foundations of the friends and neighbors effect. American Politics Quartely, v. 21, n. 4, p. 473-489, 1993. DOI: https://doi.org/10.1177/1532673X9302100405
BRASIL. Violência Política. Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, 2022. Disponível em: <https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/mais-mulheres-na-politica/violencia-politica>. Acesso em: dez. 2024.
CAMPOS, L. A.; MACHADO, C. A cor dos eleitos: determinantes da sub-representação política dos não brancos no Brasil. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 16, p. 121-151, 2015. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-335220151606
CARDOSO, G.; LAMY, C. Redes sociais: comunicação e mudança. Janus.net, Lisboa, v. 2, n. 1, p. 73-96, 2011.
CASTELLS, M. A Galáxia da Internet: Reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. [S.l.]: Zahar, 2001.
CASTELLS, M. Redes de indignação e esperança: Movimentos sociais na era da internet. [S.l.]: Zahar, 2012.
CASTRO, I. E. D. O problema da escala. In: CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. D. C.; CORRÊA, R. L. Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 118-140.
COLLINS, P. H. Pensamento feminista negro. São Paulo: Boitempo, 2019.
CORDOVA, D. F. et al. Democracia e Representação Política de Mulheres em Municípios de Médio e Pequeno porte no Brasil. Revista Latino-americana de Geografia e Gênero, v. 14, n. 1, p. 56-76, 2023. DOI: https://doi.org/10.5212/Rlagg.v.14.i1.0004
COX, K. The voting decision in a spatial context. Progress in Geography, v. 1, p. 83-117, 1969.
COX, K. Spaces of dependence, spaces of engagement and the politics of scale, or, looking for local politics. Political Geography, 1998. 1-24. DOI: https://doi.org/10.1016/S0962-6298(97)00048-6
MULHERES NEGRAS DECIDEM, 2020. Disponível em: <https://mulheresnegrasdecidem.org/dados/>. Acesso em: 11 mar. 2025.
DELMAZOI, C.; VALENTE, J. C. L. Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à desinformação em busca de cliques. Media & Jornalismo, Lisboa, v. 18, n. 32, abril 2018. DOI: https://doi.org/10.14195/2183-5462_32_11
FILHO, J. S. Os outros movimentos dos movimentos socioterritoriais articulados em redes: uma leitura sobre convergence spaces desde o MST e suas relações urbanas e internacionais. In: filho, e. D. S. R., et al. Expansão do capital, movimentos socioterritoriais e políticas de desenvolvimento. São Paulo: Outras Expressões, 2020. p. 93-110.
GONZALEZ, L. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HUCKFELDT, R.; SPRAGUE, J. Networks in context: The social flow of political information. American Political Science Review, v. 81, n. 4, p. 1197-1216, 1987. DOI: https://doi.org/10.2307/1962585
IPEDF. Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal - Retratos Sociais 2021 - Mulheres, 2021a. Disponível em: <https://www.ipe.df.gov.br/wp-content/uploads/2023/04/2023.04.17-Sumario-Executivo-Retratos-Sociais-Mulheres.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2025.
IPEDF. Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal - Retratos Sociais 2021 - Pessoas Negras, 2021b. Disponível em: <https://www.ipe.df.gov.br/wp-content/uploads/2022/11/RETRATOS-SOCIAIS-COR-RAC%CC%A7A-SUMA%CC%81RIO-FINAL.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2025.
JOHNSTON, R. E. A. Friends and neighbours voting revisited: the geography of support for candidates to lead the UK’s Labour party. Political Geography, v. 55, p. 01-09, 2016. DOI: https://doi.org/10.1016/j.polgeo.2016.02.003
KEY, V. O. Southern Politics in State and Nation. Nova Iorque: Knopf, 1949.
KNECHTEL, M. D. R. Metodologia da pesquisa em educação: uma abordagem teórico-prática dialogada. Intersaberes, Curitiba, 2014.
KOZINETS, R. Netnografia: Realizando Pesquisa Etnográfica Online. Porto Alegre: Penso, 2014.
LOPES, R. A Importância das Redes Sociais para os Outsiders Políticos — Entre Desintermediação e Hibridismo Mediático. Revista Comunicando, v. 11, n. 2, 2022.
MARSTON, S. A. The social construction of scale. Progress in Human Geography, v. 24, n. 2, 2000. DOI: https://doi.org/10.1191/030913200674086272
MIGUEL, L. F.; BIROLI, F. Feminismo e Política. 1ª. ed. São Paulo: Boitempo, 2014.
MOHERDAUI, L. Redes sociais têm mais impacto eleitoral do que rádio TV. Poder 360, 2022. Disponível em: <https://www.poder360.com.br/eleicoes/redes-sociais-tem-mais-impacto-eleitoral-do-que-radio-e-tv/>. Acesso em: abril 2024.
MONTEIRO, E. Lobby do Batom: marco histórico no combate à discriminações. Senado Notícias, 2018. Disponível em: < https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/03/06/lobby-do-batom-marco-historico-no-combate-a-discriminacoes>. Acesso em: 12 mar. 2025
MOORE, A. Rethinking scale as a geographical category: from analysis to practice. Progress in Human Geography, Madison, p. 203–225, 2008. DOI: https://doi.org/10.1177/0309132507087647
MUNIS, K. B. Place, candidate roots, and voter preferences in an age of partisan polarization: Observational and experimental evidence. Political Geography, v. 85, p. 1-12, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.polgeo.2021.102345
PAIXÃO, M. Desigualdades de gênero no Brasil: reflexões e experiências. Goiânia: [s.n.], 2004. p. 45-104.
PDAD. Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios - DF. CODEPLAN, 2021. Disponivel em: <https://www.ipe.df.gov.br/pdad-2021-3/>. Acesso em: 10 out. 2023.
PEIXOTO, V. D. M.; MARQUES, L. M.; RIBEIRO, L. M. Financiamento de campanhas e desempenho eleitoral das mulheres nas eleições brasileiras (1998-2020), v. 36, n. 106, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2022.36106.006
PINHO, T. R. D. Debaixo do Tapete: A Violência Política de Gênero e o Silêncio do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 28, n. 2, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n267271
PITKIN, H. F. The Concept of Representation. London: University of California Press, v. 1, 1967.
ELAS NO PODER, 2020. Disponível em: <https://elasnopoder.org/>. Acesso em: 08 mar. 2025.
ROUSSEFF, D. misoginia e a manipulação da mídia. In: D'ÁVILA, M. Sempre foi sobre nós: relatos da violência política de gênero no Brasil. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2022. Cap. 04. DOI: https://doi.org/10.2307/j.ctv2v88d66.7
SAMPAIO, D. Campanhas tradicionais ou modernas? Estratégias de gastos nas eleições municipais de 2016. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 36, n. 105, p. 01-18, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/3610511/2020
SARLET, I. W.; SIQUEIRA, A. D. B. Liberdade de expressão e seus limites numa democracia: o caso das assim chamadas “fake news” nas redes sociais em período eleitoral no Brasil. Revista Estudos Institucionais, v. 6, n. 2, p. 534-578, 2020. DOI: https://doi.org/10.21783/rei.v6i2.522
SEN, A. Desenvolvimento como Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
SHIN, M. Geografia Eleitoral no século XXI. In: AGNEW, J.; AL, E. The Wiley Blackwell Companion to Political Geography. [S.l.]: Wiley Blackwell, v. 1, 2015. Cap. 21.
SILVA, B. D. Violências estruturais na trajetória de uma mulher negra. In: D'ÁVILA, M. Sempre foi sobre nós: Relatos da violência política de gênero no Brasil. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2022. Cap. 2.
SMITH, N. Contours of a Spatialized Politics: Homeless Vehicles and the Production of Geographical Scale. Duke University Press, p. 54-81, 1992. DOI: https://doi.org/10.2307/466434
SOUZA, M. L. D. Os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.
SPECK, B. W.; MANCUSO, W. P. ‘Street fighters’ e ‘media stars’: estratégias de campanha e sua eficácia nas eleições brasileiras de 2014. Cadernos Adenauer, v. 3, n. 7, p. 121-138, 2017.
STAEHELI, L. A. Empowering political struggle: spaces and scales of resistance. Political Geography, v. 13, n. 5, p. 387-391, setembro 1994. DOI: https://doi.org/10.1016/0962-6298(94)90046-9
SWYNGEDOUW, E. Neither Global nor Local: “Glocalization” and the Politics of Scale. In: COX, K. Spaces of Globalization: Reasserting the Power of the Local. New York and London: Guilford/Longman, 1997.
TABARES, C. D. V.; CONCEIÇÃO, B. D. S.; MARQUES, R. S. Mulheres, raça e partidos no Brasil: análise da sub-representação das candidaturas identitárias nas eleições 2018. Revista de Informação Legislativa: RIL, Brasília, v. 58, n. 229, p. 57-77, 2021. DOI: https://doi.org/10.70015/ril_v58_n229_p57
TAVARES, W.; ALMEIDA, G. C. Redes Sociais Virtuais e a Democracia 2.0: Dinâmicas e Perspectivas Políticas na Relação entre Políticos e Sociedade. Revista de Pesquisa em Políticas Públicas, n. 03, p. 72-93, 2014. DOI: https://doi.org/10.18829/rp3.v1i1.11787
TEMPLE, L. Reckoning with the digital turn in electoral geography. Progress in Human Geography, v. 47, n. 4, p. 555-574, 2023. DOI: https://doi.org/10.1177/03091325231170328
TERRON, S. Geografia Eleitoral em Foco. Debate, Belo Horizonte, v. 4, n. 2, p. 08-18, 2012.
TROTTA, L. C. et al. O papel das redes sociais nas eleições municipais em época de pandemia. Aurora, Marília, v. 15, n. 1, p. 27-48, 2022. DOI: https://doi.org/10.36311/1982-8004.2022.v15.n1.p27-48
TSE. Tribunal Superior Eleitoral, 2022. Disponível em: <https://www.tse.jus.br>. Acesso em: 2025.
YOUNG, I. M. Representação política, identidade e minorias. São Paulo: Lua Nova, 2000.
ZOLNERKEVIC, A. Localismo nas Eleições Proporcionais do Brasil: Efeito Contextual de “Amigos e Vizinhos”. Dados, Rio de Janeiro, v. 68, n. 1, p. 1-40, 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/dados.2025.68.1.356
Téléchargements
Publiée
Comment citer
Numéro
Rubrique
Licence
Les auteurs qui publient dans cette revue acceptent les conditions suivantes :
- Les auteurs conservent les droits d’auteur sur leurs travaux et accordent à la revue le droit de première publication. Le travail est diffusé simultanément sous licence Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Cette licence permet aux réutilisateurs de distribuer, remixer, adapter et s'appuyer sur le matériel sur tout support ou format, tant que l'attribution est donnée à l'auteur. La licence permet une utilisation commerciale.
- Les auteurs sont autorisés à conclure des accords contractuels supplémentaires pour la diffusion non exclusive de la version publiée dans cette revue (par exemple, un dépôt dans un répertoire institutionnel ou une publication sous forme de chapitre d’ouvrage), à condition de mentionner la paternité de l’œuvre et la publication initiale dans cette revue.
- Les auteurs sont encouragés à diffuser leurs travaux uniquement après publication dans la revue, via des dépôts institutionnels, des pages personnelles ou d’autres supports académiques, en mentionnant toujours la référence à la publication originale.


