Entre muros e titãs: análise das relações hierárquicas e de poder no mangá/animê shingeki no kyojin

Kesley Gabriel Bezerra Coutinho, Márcio Alessandro Neman do Nascimento

Resumo


Ao problematizarmos a série de mangá/animê shingeki no kyojin, neste artigo, nos propomos indagar as estratégias de poder que agenciam o campo existencial de habitantes de um mundo imagético que se encontram subjugados hierarquicamente pelo estado, religião e pelos míticos titãs. O mangá/animê apresenta um cenário apocalíptico que é territorializado por distritos correlacionados e hierarquizados por muros segregatórios, o que acaba por produzir existências precárias e a busca constante da fuga da marginalização e exclusão social das necropolíticas. Assim sendo, tencionamos analisar as relações assimétricas de poder estabelecidas entre os principais personagens da trama, verificando de que modo suas existências e indagações expõem os acontecimentos caóticos que trazem a (des)ordem social. O presente estudo objetivou uma análise cartográfica fílmica, sustentada por um arcabouço teórico-metodológico político convergente entre os posicionamentos foucaultianos em intersecção com o método cartográfico proposto por Gilles Deleuze e Félix Guattari. Partindo do pressuposto de que a ficção e a realidade se conectam e se compõem, a análise dos processos de assujeitamento por meio de disciplina e controle dos corpos entre os personagens de shingeki no kyojin nos oferece pistas que nos direcionam para comparações descritivas e atualizadas de diversos momentos políticos e culturais vivenciados nas sociedades contemporâneas.


Palavras-chave


Animês. Subjetividade. Biopolítica.

Texto completo:

PDF

Referências


AGUIAR, Lisiane Machado. 2010. “As potencialidades do pensamento geográfico: a cartografia de Deleuze e Guattari como método de pesquisa processual”. Intercom-Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, São Paulo:653-678.

ALVES, Jaime Amparo. 2011. “Topografias da violência: necropoder e governamentalidade espacial em São Paulo”. Revista do Departamento de Geografia, São Paulo, v. 22:108-134.

ISAYAMA, Hajime. 2014. Ataque dos Titãs. Roteiro: Ryo Suzukaze. Arte: Satoshi Shiki. Tradução: Fernando Muciole. Barueri, Editora Panini.

ISAYAMA, Hajime. 2016. Ataque dos Titãs. Roteiro: Ryo Suzukaze. Arte: Satoshi Shiki. Tradução: Fernando Muciole. Barueri, Editora Panini.

BACCEGA, Maria Aparecida. 2007. “Discurso da comunicação: encontro entre ficção e realidade”. Comunicação & Educação, São Paulo, v. 12, n. 3:23-34.

BAUMAN, Zygmunt. 2009. Confiança e medo na cidade. 1ª ed. Tradução: Eliana Aguiar. Rio de Janeiro, Editora Zahar.

BORTOLOZZI JR, Flávio. 2018. Resistir para re-existir: criminologia (d) e resistência diante do governamento necropolítico das drogas. Tese de Doutorado em Direito, Universidade Federal do Paraná.

DA COSTA, Luciano Bedin. 2014. “Cartografia: uma outra forma de pesquisar”. Revista Digital do LAV, Santa Maria, v. 7, n. 2:66-77.

DE SOUZA, Antônio Vital Menezes; SANTOS, Vinicius Silva. 2011. “APRENDÊNCIA(S) NÔMADE(S): Expressões da multiplicidade em Gilles Deleuze”. V colóquio internacional “educação e contemporaneidade”, São Cristóvão:1-15.

FISCHER-LICHTE, Erika; BORJA, Marcus. 2013. “Realidade e ficção no teatro contemporâneo”. Sala Preta, Paris, v. 13, n. 2:14-32.

FLUSSER, Vilém. 1966. Da ficção. In: http://www.pgletras.uerj.br/matraga/matraga13/matraga13flusser.pdf (acessado em 25 de maio de 2019).

FOUCAULT, Michel. 2003. Estratégia, poder-saber. Ditos e escritos IV. 2º ed. Tradução de Vera Lucia Avelar Ribeiro. Rio de Janeiro, Forense Universitária.

FOUCAULT, Michel. 1999. Em defesa da sociedade: curso dado no Collège de France (1975-1976). 1ª ed. Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo, Editora Martins Fontes.

FOUCAULT, Michel. 1988. História da sexualidade I: a vontade de saber. 13ª ed. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e JA Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro, Edições Graal.

FOUCAULT, Michel. 2003. Microfísica do poder. 18 ed. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro, Editora Graal.

FOUCAULT, Michel. 2008. Nascimento da Biopolítica: curso dado no Collège de France (1977-1978). 1ª ed. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo, Editora Martins Fontes.

FOUCAULT, Michel. 2004. Vigiar e punir: O nascimento da Prisão. 29ª ed. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, Editora Vozes.

GOLIOT-LÉTÉ, Anne; VANOYE, Francis. 2002. Ensaio sobre a análise fílmica. 2º ed. Tradução de Maria Appenzeller. São Paulo, Editora Papirus.

GOMES, Fernando Bertani; SILVA, Joseli Maria. 2017. “Necropolíticas espaciais e juventude masculina: a relação entre a violência homicida e a vitimização de jovens negros pobres do sexo masculino”. GEOUSP: Espaço E Tempo (Online), São Paulo, v. 21, n. 3:703-717.

GUATTARI, Félix. 1992. Caosmose: um novo paradigma estético. 1ª ed. Tradução de Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão. São Paulo, Editora 34.

GUATTARI, Félix; DELEUZE, Gilles. 1995. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. 5ª ed. Tradução de Aurélio Guerra Neto, Ana Lúcia de Oliveira, Lúcia Cláudia Leão e Suely Rolnik. São Paulo, Editora 34.

GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. 2005. Subjetividade e história. In Micropolítica: cartografias do desejo. 7ª ed. Petrópolis, Editora Vozes.

LUYTEN, Sonia Maria Bibe. 2014. “Mangá e Animê ícones da cultura pop japonesa”. Fundação Japão em São Paulo, São Paulo:1-11.

LUYTEN, Sonia Maria Bibe. 1991. Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses. 1ª ed. São Paulo, Editora Estação Liberdade.

MBEMBE, Achille. 2011. Necropolítica: seguido de sobre el gobierno privado indirecto. 1ª ed. Tradução de Elisabeth Falomir Archambault. Santa Cruz de Tenerife, Editora Melusina.

MOMBELLI, Neli Fabiane; TOMAIM, Cássio Dos Santos. 2014. “Análise fílmica de documentários: apontamentos metodológicos”. Lumina, Juiz de Fora, v. 8, n. 2:1-17.

MARANDOLA JR, Eduardo. 2008. “Entre muros e rodovias: os riscos do espaço e do lugar”. Antropolítica, Niterói, n. 24:195-219.

PASSOS, Eduardo; BARROS, Regina Benevides de. 2009. “A cartografia como método de pesquisa-intervenção”. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana. (org.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre, Editora Sulina:17-31.

PEREIRA, Ilíada Damasceno. 2017. “Cultura pop Japonesa no Brasil”. Temática, João Pessoa, v. 13, n. 8:46-59.

PENAFRIA, Manuela. 2009. “Análise de Filmes-conceitos e metodologia (s) ”. VI Congresso Sopcom, Lisboa:1-10.

RODRIGUES, Gustavo Dore. 2008. “Japão, explodindo subcultura–Cultura e Mídia japonesa no Brasil”. XIII Congresso de Ciências da Comunicação da Região Sudeste, São Paulo:1-15.

ROLNIK, Suely. 2007. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre, Editora Sulina.

ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. 2009. “A cartografia e a relação pesquisa e vida”. Psicologia & Sociedade, v. 21, n. 2:166-173.

SARAIVA, Juracy Assmann; MÜGGE, Ernani. 2015. “Gente-grande: denúncia da pequenez dos adultos”. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Campinas, n. 46:117-132.

SHINGEKI NO KYOJIN. 2013. Hajime Isayama. Direção: Tetsuro Araki. Musashino, Tóquio: Wit Studio, Son, Color, Formato: DVD.

SHINGEKI NO KYOJIN. 2017. Hajime Isayama. Direção: Tetsuro Araki. Musashino, Tóquio: Wit Studio, Son, Color, Formato: DVD.




DOI: https://doi.org/10.30612/nty.v7i10.10307

________________________________________________________________________

ISSN 2317-8590 (O código ISSN é único para todas as edições)
Todos os direitos reservados ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia - PPGAnt/UFGD
UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados
FCH - Faculdade de Ciências Humanas
Rodovia Dourados-Itahum, Km 12 - Caixa Postal 533 - Cidade Universitária
Dourados-MS (Brasil) - CEP 79804-970

  

Licença Creative Commons
Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Brasil.