CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO

Dossiê: LITERATURA E ESTADO DE EXCEÇÃO

 

O filósofo Giorgio Agamben (2004) concebe o estado de exceção como “a forma legal daquilo que não pode ter forma legal”, um dispositivo do direito que suspende a própria ordem jurídica. Esse “patamar de indeterminação entre democracia e absolutismo”, amplamente utilizado no século XX, sobretudo a partir da Primeira Guerra Mundial, tem se tornado, na visão de Agamben, uma técnica de governo, confirmando o pensamento de Walter Benjamin (1994) de que “o ‘estado de exceção’ em que vivemos é na verdade a regra geral”. A utilização dessa técnica de governo só é possível a partir da ideia de necessidade, conceito subjetivo que ganha aceitação a partir de um trabalho sobre o simbólico de uma determinada comunidade.

Entendendo que a estética e a política trabalham sobre esse mesmo campo do simbólico, ou, nos termos de Rancière, sobre uma “partilha do sensível”, a revista Raído volume 13, número 31, propõe um dossiê com artigos que tratem das relações entre Literatura e Estado de Exceção. Nesse sentido, recebemos propostas que tratem de produções literárias produzidas sob estados de exceção declarados (e seus correspondentes terminológicos – estado de sítio, lei marcial, plenos poderes etc. – e períodos em que estes se manifestam claramente – guerras, fascismos e ditaduras). Também são bem-vindos artigos sobre trabalhos que, independentemente do contexto de produção, problematizem o tema dentro de sua estrutura literária.

 

Organizadores do volume: Profa Dra. Flávia Almeida Vieira Resende e Prof. Dr. Gregório Dantas

 

PRAZO PARA ENVIO DOS TRABALHOS: 01 de março de 2019.