Homo homini lupus: uma leitura de Aprender a rezar na era da técnica

Renata Quintella Oliveira

Resumo


Aprender a rezar na era da técnica, romance de Gonçalo M. Tavares, traz como um dos temas relevantes a questão do controle político através da inserção do medo nos cidadãos. Estratégia política discutida desde Thomas Hobbes, em obras como, por exemplo, Leviatã, o medo consistiria no poder invisível de que se valeriam Hamm Kestner e Lenz Buchmann, personagens do romance em questão. O autor português não localiza o romance espacial ou temporalmente, mas podemos traçar a hipótese de que estamos diante de uma alegoria do totalitarismo vivenciado por países europeus no século XX. Os nomes dos personagens apontam uma origem germânica, o que nos direcionaria, talvez para o regime totalitário alemão. Contudo, os contornos históricos não são precisos: estamos diante de uma literatura que resgata a história “como vulto”, como nos assegura Juliana Sá, uma das autoras que analisam o romance.

Palavras-chave


Gonçalo M. Tavares. Medo e política. Ficção portuguesa contemporânea. Regimes totalitários.

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