Por entre “mestres” e historiadoras: o gênero da Historiografia
DOI:
https://doi.org/10.30612/rehr.v21i40.17974Palavras-chave:
Gênero, Memória, História da HistoriografiaResumo
A questão central deste trabalho ocupa-se em investigar a construção de (auto)imagens de historiadores(as), por Alice Piffer Canabrava e Maria Efigênia Lage de Resende, na elaboração da imagem do “mestre” centrada em Fernand Braudel e Francisco Iglésias. Interessa-nos problematizar como as historiadoras constroem narrativas que fundam determinados sujeitos (homens) como “pais da história”. Através de Braudel e Iglésias, as historiadoras partilham uma operação semelhante, ao conformarem uma ideia do “historiador ideal” tanto por seus trabalhos historiográficos quanto por suas virtudes pessoais. É a forma de “ser historiador”, e não somente as práticas cotidianas de produção da história, que constitui o foco das suas narrativas. Desse modo, as performances corporais e escriturárias não podem prescindir da memória como espaço de elaboração dessas figuras e identidades historiadoras em (des)construção, servindo-nos como fontes privilegiadas para problematizar a dimensão de gênero na historiografia.
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