Polliniser une forêt entière: chamanisme et lieux plus-qu'humains à l'art indigène contemporain de Denilson Baniwa

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DOI :

https://doi.org/10.5418/ra2025.v21i46.20081

Mots-clés :

Art indigène contemporain, chamanisme, cosmopoliteia, entre-mondes, mondes plus-qu'humaines

Résumé

Il existe aujourd'hui au Brésil un croissant mouvement d'art indigène contemporain qui revendique des pratiques artivistes en faveur de la matérialisation d'œuvres qui revendiquent leurs droits et façons de regarder. Articulées entre des expériences qui traversent les contacts art-vie, elles convoquent des rencontres entre les mondes et les esthétiques indigènes avec les horizons de l'art contemporain. Denilson Baniwa est un artiste qui participe à cette impulsion de tensions qui se situent dans-et-entre des lieux, composant des œuvres qui articulent art-vie, chamanisme et cosmopolitiques au-delà du dualisme nature-culture. Dans ce sens, le présent essai vise à déchiffrer comment ses œuvres font irruption des multiples possibilités de compréhension des sens plus-qu'humains des lieux. À cette fin, il s'appuie sur les référentiels de la Géographie Culturelle et l'analyse de quatre de ses œuvres – Pajé-onça hackeando a 33ª Bienal de Artes de São Paulo (2018), Tudo é gente (2020), Ecologia da polinização invisível (2022) et Tatá (2023) – associée à l'investigation d'entretiens et de manifestes écrits sur or pour l'artiste.

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Bibliographies de l'auteur

Carlos Roberto Bernardes de Souza Júnior, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Professor Visitante no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal da Grande Dourados (PPGG/UFGD). Doutor e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com estágio doutoral na Université de Paris VII – Diderot. Suas pesquisas enfocam nas interfaces entre lugar, arte, geopoética e os mundos mais-que-humanos.

Juliana Grasiéli Bueno Mota , Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)/Professora Adjunta

Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2008), mestrado em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados (2011) e doutorado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - FCT-UNESP (2015). Atualmente, é professora na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), onde leciona na Faculdade de Ciências Humanas nos cursos de graduação e pós-graduação em Geografia. Coordena o Grupo de Pesquisa Geopovos Ñandereko - Coletivo Geografias Indígenas. Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Humana, atuando principalmente nos seguintes temas: Geografias Indígenas; movimentos sociais indígenas no estado de Mato Grosso do Sul, Culturas, relações étnico-raciais e estudos des(pós)coloniais.

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Publiée

2026-01-25

Comment citer

Bernardes de Souza Júnior, C. R., & Grasiéli Bueno Mota , J. (2026). Polliniser une forêt entière: chamanisme et lieux plus-qu’humains à l’art indigène contemporain de Denilson Baniwa. Revista Da ANPEGE, 21(46). https://doi.org/10.5418/ra2025.v21i46.20081