A Zoogeografia do Brasil e suas relações com as áreas naturais
uma discussão interescalar a partir da mastofauna neotropical
DOI :
https://doi.org/10.5418/ra2022.v18i37.14520Mots-clés :
Províncias zoogeográficas, áreas naturais, espacialidade da fauna, geossistemasRésumé
A espacialidade da fauna tem sido pouco explorada na Biogeografia brasileira, com acentuado esvaziamento da discussão a respeito do papel dos animais na diferenciação de áreas, na composição das paisagens e nos processos de superfície. Visando tais aproximações, o presente artigo tem por objetivo discutir as relações espaciais entre a biota animal e as regionalizações e áreas naturais em perspectiva interescalar. Para tanto, as províncias zoogeográficas brasileiras foram comparadas em suas aderências e incongruências espaciais com outras regionalizações físico-geográficas (domínios morfoclimáticos, compartimentação morfotectônica, regiões biogeográficas e macroespaços agroecológicos) a partir do coeficiente de Jaccard, aplicado a diferentes ordens de mamíferos terrestres. Subsequentemente, a espacialidade da biota animal foi discutida em escalas regionais, cotejando relações entre padrões distributivos no macroespaço amazônico e no domínio tropical atlântico, tendo a ordem Primates como táxon de referência. Por fim, também foram contempladas integridades distributivas mesorregionais a partir do aporte teórico dos geossistemas, referenciando-se na ordem Rodentia. Os resultados mostraram aderências nas diferentes escalas, apresentando fortes congruências no conjunto dos macroespaços brasileiros, em domínios específicos, bem como na escala da paisagem, referenciada a partir dos macrogeócoros.
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