Escola "sem" partido e reforma do ensino médio
e agora, como ensinar Geografia?
DOI:
https://doi.org/10.5418/ra2022.v18i35.10901Palavras-chave:
Escola sem Partido, Ciências Humanas, ensino de geografiaResumo
Os últimos anos foram marcados por um retrocesso no campo educacional como um todo, especialmente nas áreas de Humanas, com destaque para o Projeto de Lei do Programa Escola sem Partido (ESP) e Reforma Curricular do Ensino Médio. Os significados pedagógicos dessas leis revelam sentidos de Educação, de conhecimento e de sociedade: se por um lado o programa ESP cria um falso manto da neutralidade do conhecimento, a Reforma do Ensino Médio, ao criar “itinerários formativos”, hipervaloriza um ensino teoricamente pragmático voltado para línguas e matemática. Assim, esse ensaio apresenta considerações sobre as disputas de saberes na produção do conhecimento científico e suas inter-relações com o conhecimento escolar, debatendo as ideias da ESP e da nova reforma curricular. Objetivamos reafirmar o papel do ensino de geografia na contribuição da formação humana, ao promover a autorreflexão e o desenvolvimento de operações mentais necessárias para a prática cotidiana consciente autônoma e crítica.
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