Subvertendo hegemonias na Geografia Brasileira: a enunciação das Geografias Feministas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5418/ra2025.v21i46.20268

Palavras-chave:

geografias feministas, ciência, eurocntrismo, geografia brasileira

Resumo

O artigo evidencia as hegemonias conceituais verificadas na Geografia brasileira que criam silenciamentos das Geografias Feministas, bem como aponta as fissuras pelas quais tais geografias construíram possibilidades de enunciação no Brasil. Os movimentos feministas, das sexualidades e etno-raciais apresentam ações diversificadas e potentes por todo o país. No entanto, a geografia brasileira tem sido resistente na incorporação de conceitos e métodos que construam a visibilidade de sujeitos sociais que tradicionalmente foram alvo da violência epistêmica. Nesse sentido, serão explorados os mecanismos estruturantes das invisibilidades, bem como será examinado o potencial das Geografais Feministas na construção de um projeto de ciência que enfrente os pressupostos epistemológicos e princípios metodológicos próprios da ciência, hegemonicamente produzida com base no eurocentrismo do conhecimento científico.

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Biografia do Autor

Joseli Maria Silva, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

Docente na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Mestre em Geografia pela UFSC. Doutora em Geografia pela UFRJ. 

Vagner André Morais Pintao, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

Doutor e Mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). 

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Publicado

2026-01-02

Como Citar

Silva, J. M., & Pintao, V. A. M. (2026). Subvertendo hegemonias na Geografia Brasileira: a enunciação das Geografias Feministas. Revista Da ANPEGE, 21(46). https://doi.org/10.5418/ra2025.v21i46.20268