Do corpo às emoções: o rosto de Marielle ressignificando o medo

Elizete Bernardes, Solange Christiane Gonzalez Barros

Resumo


Neste artigo, a partir das contribuições da Análise de discurso (AD) bem como da Semiologia Histórica (COURTINE, 1988; 2015), propomos algumas análises iniciais entre a emoção, o corpo e como o discurso enlaça os dois primeiros elementos. Assim, nosso questionamento de escrita é: como o medo pode ser instalado como uma estratégia de governo biopolítico direcionado para corpos de determinados sujeitos? Nesse sentido, consideramos alguns enunciados (verbais e não verbais) que circularam na mídia durante as vésperas e pós-eleições presidenciais de 2018. Tomamos como hipótese de reflexão, ressignificando Pêcheux (2009), que as emoções podem mudar de sentido conforme o corpo do sujeito que as suscita. De modo que, nosso objetivo é a articular os sentidos que se constroem a partir do corpo e da emoção de diferentes sujeitos. Para tanto, analisamos como o rosto de Marielle Franco, após seu assassinato, e o medo e\ou ansiedade suscitados com este acontecimento discursivo se ressignifica dentro da fragilidade da democracia. Esperamos, ao final, contribuir para os estudos do discurso bem como demonstrar como a necropolítica (MBEMBE, 2018) está implicada em emoções que atravessam os corpos.


Palavras-chave


Análise do discurso. Corpo. Emoções. Medo. Necropolítica.

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DOI: https://doi.org/10.30612/nty.v7i10.10314

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