Gramsci e as Relações Internacionais: para superar a reificação do Estado e a anarcofilia.

Roberto Moll Neto

Resumo


Na formação do campo das relações internacionais, as teorias ortodoxas realistas e liberais, baseados na ideia de Estado de Natureza, consagraram a anarquia como princípio ordenador (ou desordenador) do Sistema Internacional. Consequentemente, os Estados são caracterizados como os sujeitos, nem sempre únicos, desse Estado de Natureza anárquico que é o Sistema Internacional. Contudo, a ideia de Estado de Natureza que consagra a anarquia e a reificação do Estado é um pressuposto filosófico abstrato e especulativo, que não pode ser verificado na realidade. Por outro lado, outras teorias do campo heterodoxo das Relações Internacionais partem de outros pressupostos, ainda que a ideia de anarquia e de reificação do Estado imperem no campo. Neste artigo, pretendemos mostrar como uma abordagem teórica gramsciana pode ser associada aos conceitos de Pierre Bourdieu e aos elementos materiais e narrativos da construção da identidade nacional para contrapor a ideia de anarquia e de reificação do Estado.

Palavras-chave


Teoria das Relações Internacionais. Estado-Nação. Identidade Nacional.

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