Escola pública: origens e funções no período da revolução industrial inglesa

Cleissiane Aguido Gotardo, Neide de Almeida Lança Galvão Favaro

Resumo

Analisa-se neste artigo o processo de constituição da escola pública na Revolução Industrial inglesa, explorando suas funções e relações com as demandas do trabalho. Com base no materialismo histórico e numa abordagem qualitativa, apreendem-se inicialmente as condições de trabalho derivadas da manufatura e da industrialização e suas consequências para os trabalhadores. Analisa-se a seguir o processo de organização do sistema nacional de ensino inglês, relacionando-o com as necessidades produtivas dos séculos XVIII e XIX. Infere-se que a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra afetou a sociedade e o trabalho em distintas dimensões. Como dispensou inicialmente a instrução escolar, tanto para o desenvolvimento da maquinaria quanto para a preparação dos trabalhadores, não houve interesse dos industriais pela educação para todos. Já os economistas políticos, como Adam Smith (1723-1790) e Stuart Mill (1806-1873), preconizaram em distintos momentos a necessidade de criação da escola pública. Só ao final do século XIX ela se estabeleceu, com o intuito de elevar o nível moral e cívico dos trabalhadores, contribuindo para a manutenção das relações sociais que se estabeleciam. A análise das funções que a escola pública assumiu em suas origens pode subsidiar a reflexão de sua condição e perspectivas atuais.

Palavras-chave

Trabalho e educação. Escola pública inglesa. Revolução industrial.

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