Movimento interpretativo: o tecer da teia literária, entre arquivo e memória

Mariana Morales da Silva, Soraya Maria Romano Pacífico

Resumo


Este artigo enfatiza a leitura, questionando a ideia de leitura única e padronizada. Nesse sentido, discute-se o papel da escola na expansão de possibilidades de leituras e de gestos de interpretação pelos estudantes. Defendemos que as possibilidades de leituras acontecem por meio da circulação de vários sentidos, e para isso fundamentamo-nos em conceitos teóricos da Análise do discurso pecheutiana, tais como interdiscurso, arquivo e memória discursiva para, então, construirmos os conceitos de rede literária, teia literária e movimento interpretativo. Esta questão de pesquisa motiva um estudo que se volta para área educacional. Os sujeitos-leitores são alunos do Ensino Fundamental e para compreender esse estudo, ou seja, como o movimento interpretativo afeta o autoral é que estabelecemos o objetivo de (re)construir um trabalho dialógico com os clássicos da literatura, nas séries do EF-I, visando a proporcionar aos alunos novos gestos de interpretação, a construção de um arquivo (PÊCHEUX, 1997) e a assunção da autoria.Em nosso entendimento, o movimento interpretativo é coletivo e historicizado e, ao mesmo tempo, é particular para cada sujeito-leitor. A partir desse movimento, o sujeito tem a possibilidade de ocupar não apenas a posição de leitor, mas também, a posição de autor.

Palavras-chave


Leitura. Movimento interpretativo. Teia literária.

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