Mudanças na Cosmovisão Ambiental de Estudantes Brasileiros a Partir do Confronto com o Paradigma Civilizatório proposto por Leonardo Boff
DOI:
https://doi.org/10.30612/revpsi.v2i2.20676Palavras-chave:
Representações Sociais, Cosmovisão Ambiental, Psicologia Social, Paradigma Pós-Antropocêntrico, Novo Ethos MundialResumo
Ao longo dos últimos 50 anos, as universidades, os governos e as empresas têm reconhecido a devastação ambiental e os impactos sobre a natureza causados pela atividade econômica capitalista. Este artigo, no âmbito da Psicologia Social, com foco nas Representações Sociais do Meio Ambiente, tem como principal objetivo analisar os impactos de variáveis socioeconômicas e de opinião sobre a mudança de cosmovisão ambiental entre estudantes da Escola Básica do Município de Alvorada-RS, a partir de uma pesquisa quantitativa realizada em uma amostra composta por 531 sujeitos. Os resultados mostram que os estudantes cujas representações sociais do meio ambiente estão relacionadas com a defesa da natureza e dos recursos naturais, e com o uso racional e ambientalmente correto das matérias-primas, tendem a uma cosmovisão psicossocial mais crítica, pós-antropocêntrica, sobre a relação entre o homem e a natureza, aproximando-se da teoria ambiental de Leonardo Boff, exprimida na chama Cosmologia da Transformação ou Novo Paradigma Ético e Espiritual. Conclui-se que as práticas da Educação Ambiental Crítica, fundamentadas em teorias como as de Boff, constituem-se na maneira mais eficiente de mudar a visão de mundo das novas gerações até o estabelecimento de um novo paradigma, através da sensibilização dos jovens quanto à importância da convivência harmônica entre homem e natureza, muito mais do que o marketing verde ou a mera preservação de reservas e parques ambientais.
Referências
Berger, P. L. (1985). O dossel sagrado. Paulinas.
Boff, L. (1993). Ecologia, mundialização e espiritualidade: A emergência de um novo paradigma (2ª. ed.). Ática.
Boff L. (2003). Ethos Mundial: Um Consenso Mínimo Entre Os Humanos. Editorial Sextante.
Boff, L. (1996). Dignitas terrae: Ecologia: grito da terra, grito dos pobres. Ática.
Boff, L. (2008). Homem: Satã ou anjo bom? Record.
Brasil. (1999). Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999: Dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental. Diário Oficial da União.
Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. (2021). Ofício Circular nº 2/2021/Conep/Secns/MS: Orientações para procedimentos em pesquisas com qualquer etapa em ambiente virtual. https://www.gov.br/saude
Carvalho, C. (2016). Quando a escola vai ao museu (Coleção Ágere). Papirus.
Diniz Alves, José Eustáquio (2010). A definição de cor/’raça’ do IBGE. In: EcoDebate, 28 jun 2010.
Duarte, C. Z. C. G. (2007). Adolescência e sentido de vida (Tese de doutorado). Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Formiga, N. S., Ayroza, I., & Dias, L. (2005). Escala das atividades de hábitos de lazer: Construção e validação em jovens. Psic: Revista da Vetor Editora, 6(2), 71–79.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2020). Cidades: Alvorada (RS). https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rs/alvorada/panorama
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. (2020). Brasil no PISA 2018. INEP.
Martinho, L. R., & Talamoni, J. L. B. (2007). Representações sobre o meio ambiente de alunos da quarta série do ensino fundamental. Ciência & Educação, 13(1), 1–13.
Meadows, D. H., Meadows, D. L., Randers, J., & Behrens, W. W. (1972). The limits to growth. Universe Books.
Montero, I., & León, O. G. (2007). A guide for naming research studies in psychology. International Journal of Clinical and Health Psychology, 7(3), 847–862.
Moura Carvalho, I. C. (1998). Em direção ao mundo da vida: Interdisciplinaridade e educação ambiental. Ipê.
Padilha, V. (2006). Da flânerie ao projeto demiúrgico do shopping center. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, 8(1), 45–55.
Raitz, T. R., & Petters, L. C. F. (2008). Novos desafios dos jovens na atualidade: Trabalho, educação e família. Psicologia & Sociedade, 20, 408–416.
Reigota, M. (2002). Meio ambiente e representação social (5a. ed.). Cortez.
Reis, S. L. A., & Bellini, L. M. (2013). Representações sociais como teoria e instrumento metodológico para a pesquisa em educação ambiental. Reflexão e Ação, 21(1), 276–294.
Ribeiro, S. M. (2019). Acesso aos museus de ciências: O caso da educação de jovens e adultos (Trabalho de conclusão de curso). Fundação Oswaldo Cruz.
Rodrigues Filho, E., Prado, M. M., & Prudente, C. O. (2014). Compreensão e legibilidade do termo de consentimento livre e esclarecido em pesquisas clínicas. Revista Bioética, 22(2), 325–336.
Russo, R. (2009, 26 de outubro). TV deixa de ser item mais importante entre os jovens. Folha de S.Paulo.
Solano, E. (2019). La bolsonarización de Brasil (Documentos de Trabajo IELAT, Nº 121). Universidad de Alcalá.
Trevisol, J. V. (2004, maio). Os professores e a educação ambiental: Um estudo de representações sociais em docentes das séries iniciais do ensino fundamental [Trabalho apresentado]. II Encontro da ANPPAS, São Paulo.
United Nations Environment Programme. (2022). Frontiers 2022: Noise, blazes and mismatches – Emerging issues of environmental concern. UNEP.