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Ñanduty é uma palavra polissêmica em língua guarani, constituída de duas partes: ñandu e ty. O vocábulo ñandu pode ser substantivo, quando empregado para designar aranha (aracnídeo), mas também pode servir como verbo, no sentido de sentir, experimentar sensações, averiguar ou pressentir, além denotar ir, ver ou visitar alguém por cortesia, solidariedade ou afeição. O sufixo ty, cuja pronúncia é nasal, pode significar urina, suco  ou  sumo, indicar coletivo (avatity =  milharal; jetyty = batatal), designar grandeza de alguma coisa ou mesmo ser empregado como no sentido de jogar ou lançar algo em alguma direção. Comumente a palavra é usada no sentido de “teia de aranha”, tanto no Paraguai quanto em entre os Guarani e Kaiowa que vivem em Mato Grosso do Sul. Entre a população paraguaia, por exemplo, o vocábulo também é empregado para designar uma renda fina e típica do artesanato regional (cultura material), cujo formato colorido lembra uma teia de aranha. Também é empregada no sentido de grande rede de relações sociais, motivo principal pelo qual a palavra foi escolhida como nome da revista eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFGD. Por isso entre a expressão "www" (Word Wide Web), muito comum na linguagem da Internet, é denominada Ñanduty Rogue Guasu naquele país vizinho.

DOSSIÊ TEMÁTICO REVISTA ÑANDUTY 2020-2

 

 

Parentalidades e famílias: permanências e desafios deste campo de pesquisa

Submissões até 11/12/2020 e deverão ser feitas exclusivamente pelo site da revista http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/nanduty

( Dúvidas podem ser sanadas pelo e-mail revistappgant@gmail.com c/c suporte.editora@ufgd.edu.br )

Coordenadoras do Dossiê:

Anna Carolina Hostmann Amorim (UEMS) e Claudia Regina Nichnig (UDESC)

 O presente dossiê tem como objetivo debater, a partir de contribuições originais, questões contemporâneas do campo de estudos sobre parentesco. As múltiplas relações de parentalidade que se esboçam através do uso das novas tecnologias reprodutivas, o reconhecimento social e jurídico das parentalidades gays, lésbicas e trans são temas de interesse deste dossiê. Nossa proposta é refletir sobre as permanências e desafios/transformações desse campo de pesquisa, buscamos, portanto, trazer luz sobre os conservadorismos políticos que tem tocado o campo do parentesco, especialmente em sua correlação com debates sobre gênero e sexualidade. As dificuldades e desafios apresentados na atualidade por pesquisadoras e pesquisadores destes campos de estudos também são temas de interesse deste dossiê. Serão bem vindos trabalhos que discutam as experiências de homo/lesbo/transparentalidade, o reconhecimento de direitos dessas famílias, bem como o próprio reconhecimento de diversificadas configurações enquanto família, o acesso as diferentes formas de reprodução, como adoção, o uso de tecnologias assistidas, o acesso a reprodução de forma caseira e/ou artesanal, as discussões sobre a medicalização dos corpos cis, mas também de corpos não cis e o direito a reprodução. Enfim, trabalhos que discutam o parentesco em suas dimensões reflexivas, tecnológicas, não heterocis poderão compor este dossiê.

 

 
Publicado: 2020-09-01
 
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