Chamada para Dossiê: Eleições em tempos de crise: ideologias, lutas sociais e ativismo digital

03/05/2022

A Revista MovimentAção, ISSN Eletrônico: 2358-9205, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal da Grande Dourados, lança chamada de contribuições que reflitam sobre as múltiplas dimensões da conjuntura política contemporânea, tendo em vista os tensionamentos e contradições expostos de forma mais incisiva neste ano de eleições no Brasil.

Após décadas de austeridade neoliberal e, especialmente após a crise financeira de 2008, as democracia liberais foram afetadas pelo crescimento do desemprego, da precariedade e da desigualdade, aumentando a descrença na política institucional e nos partidos políticos, percebidos como uma casta corrupta, inamovível e afastada dos cidadãos. Não é de hoje que, mesmo nas democracias liberais mais consolidadas, os eleitores repudiam partidos, políticos ou governos, mas, desta vez, a crítica parece ser mais profunda, minando o funcionamento das instituições e causando um quadro de indeterminação política. Manifestações e posições que mesclam revolta, descrença e rancor tomaram conta da política, possibilitando o crescimento eleitoral de líderes que se afirmam como antiestablishment e prometem uma alternativa - seja um novo começo ou um retorno a um suposto passado áureo. O voto britânico para sair da UE, seguido pela eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, em 2016, foram apenas o começo do “tsunami” político.

No Brasil, onde o chamado estado de bem-estar social e a democracia liberal nunca se consolidaram, a corrosão da legitimidade e institucionalidade opera de forma peculiar. Após ascensão e crise do modelo “lulista”, em que avanços pontuais se mesclaram com conciliação e reorganização da dominação capitalista, presenciamos um reforço da ofensiva neoliberal e conservadora que se apoia na crise e na descrença acima mencionadas. Neste ambiente político, em 2018, Jair Bolsonaro ganhou as eleições presidenciais apelando para um discurso antissistêmico que mirava, a um só tempo, a “velha política” e o conjunto de forças de esquerda e movimentos sociais. Em uma sociedade já plena de carências e insatisfações – que se manifestaram de forma difusa, mas intensa, em junho de 2013 – e marcada por ressentimentos – parte deles ligados a pequenos avanços do período petista ou a transformações moleculares da vida cotidiana – o "bolsonarismo" buscou responder de forma simples a problemas complexos,  articulando uma série de enunciados capazes de criar coesão para seus seguidores, tanto em oposição à política tradicional quanto a uma suposta ameaça comunista.

Passados quase quatro anos daquela turbulenta eleição, e após uma série de conflitos e uma enorme crise impulsionada pela pandemia, o cenário brasileiro é sombrio e incerto, nos colocando grandes desafios para compreensão e intervenção na realidade social. Assim, tendo em vista as eleições de outubro, este dossiê busca fomentar o debate político com a publicação de trabalhos que tratem temas relacionados à conjuntura atual, em suas diversas dimensões. Serão aceitos trabalhos que proponham abordagens empíricas, epistemológicas, teóricas sobre: as tendências políticas e ideológicas globais neste cenário de sobreposição de crises: social, sanitária, econômica, política, institucional e ambiental/climática; a ascensão de fenômenos ditos “populistas” e das forças de extrema direita, bem como os esforços de renovação no campo da esquerda;  as transformações nas relações de trabalho e nas classes trabalhadoras, sobretudo em seus desdobramentos políticos, ideológicos e organizativos; os diversos movimentos populares, indígenas, antirracistas, feministas, LGBTQIA+, ambientalistas, entre outros, frente a processos de recrudescimento autoritário; as especificidades da dinâmica política brasileira, recentemente marcada pelas jornadas de junho de 2013, a crise do PT e da esquerda e a ascensão do bolsonarismo; forças políticas, partidos e coligações no cenário eleitoral brasileiro; as dinâmicas contemporâneas das lutas sociais e do ativismo digital.  

A data limite para envio dos trabalhos é de 22 de julho de 2022 e a publicação desta edição da revista está prevista para 26 de setembro de 2022. Para além de artigos, a Revista MovimentAção também aceita entrevistas, notas prévias, resenhas e resumos de teses e dissertações. Para todos os casos, as orientações para submissão constam no link: https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/movimentacao/about/submissions

Eventuais dúvidas restantes podem ser enviadas para o seguinte e-mail: movimentacaorevista@gmail.com

 

Organização:

Davide Scavo (UFGD)

Jean Tible (USP)

Marcilio Lucas (UFGD)