“Não seja burro”: variação linguística, letramento e representações sobre a língua portuguesa

Marina Oliveira Barboza

Resumo


O presente artigo tem por objetivo discutir questões acerca das variantes linguísticas e como estão concebidas no imaginário social. Desta forma, pretende-se identificar como são vistas pela população em geral e por professores do ensino básico. Tem-se a concepção geral de que anos de escola são proporcionais ao grau de letramento e performance na comunicação social (Kleiman, 1995), contudo observa-se que a escola não consegue abarcar, satisfatoriamente, as práticas sociais de uso da linguagem que são diversas e exigem do indivíduo mais que um conhecimento padrão e  estrutural da língua falada ou escrita. Surgem os estereótipos atribuídos àqueles que não dão conta de uma língua que ser quer pura e imutável. Para as reflexões analisaremos o vídeo da youtuber Marcela Tavares “não seja burro”, bem como os comentários feitos pelos internautas, tendo em vista que são representativos do pensamento comum sobre a língua. As reflexões serão norteadas pela perspectiva teórica de Bortoni-Ricardo (1995; 2003); Kleiman (1995); Signorini (1995); Street (2014); Mattos e Silva (2004) dentre outros.


Palavras-chave


Letramento. Variação linguística. Preconceito linguístico.

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DOI: https://doi.org/10.30612/hre.v9i16.13120

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