Tecnopolítica e disputas hídricas no avanço do agronegócio rizicultor no Marajó
DOI:
https://doi.org/10.30612/rehr.v21i41.20375Palabras clave:
Amazônia, Marajó dos Campos, Comunidades quilombolas, Apropriação hídrica, AssimetriasResumen
Este artigo analisa como as práticas tecnológicas vinculadas ao agronegócio, com ênfase na rizicultura irrigada, geram tensionamentos relativos ao acesso à água na região dos campos do arquipélago do Marajó (Pará). A partir de uma abordagem interdisciplinar baseada na Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS/STS)e pesquisa qualitativa com comunidades quilombolas, o estudo evidencia a complexidade das dinâmicas socioambientais em disputa. A rizicultura irrigada insere-se em um sistema hegemônico de apropriação hídrica marcado por uma tecnopolítica que concebe as águas, predominantemente como insumo produtivo. No entanto, essa lógica se manifesta em processos híbridos e atravessados por assimetrias, nos quais interesses econômicos, conhecimentos e práticas coexistem, se tensionam e negociam sentidos e usos da água.. Relatos de moradores e lideranças quilombolas sobre contaminação, pulverização irregular de agrotóxicos e restrições ao uso da água evidenciam os impactos concretos dessas assimetrias. Ao mesmo tempo, as comunidades expressam formas situadas de resistência e produção de conhecimentos, por meio de mobilizações e parcerias com organizações sociais.
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