Narrativas visuais da escravidão no Brasil e no Haiti: Entre o silêncio e a insurgência (1800–1845)

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.30612/rehr.v22i42.18869

Palabras clave:

História da Arte, Racismo, Eurocentrismo, Escravidão, Pós-abolição

Resumen

Este estudo propõe uma análise crítica no campo da História da Arte, questionando como o racismo e o eurocentrismo moldaram a produção e circulação de imagens, contribuindo para o apagamento e a marginalização de culturas visuais não-europeias. A pesquisa concentra-se nas representações visuais da escravidão no Brasil e no Haiti, investigando, prioritariamente, a obra Feitores castigando negros, de Jean-Baptiste Debret, e Vingança do Exército Negro, de Marcus Rainsford. A partir do caráter documental dessas imagens, difundidas por meio da litografia, discute-se o papel da cultura visual na constituição de uma memória seletiva que silenciou a insurgência negra enquanto naturalizava o sofrimento e a violência escrava.

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Biografía del autor/a

Fernando Porfirio Lima, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB. E-mail: fernandoporfirio@aluno.ufrb.edu.br.

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Publicado

27/04/2026

Cómo citar

Lima, F. P. (2026). Narrativas visuais da escravidão no Brasil e no Haiti: Entre o silêncio e a insurgência (1800–1845). Revista Eletrônica História Em Reflexão, 22(42), 53–79. https://doi.org/10.30612/rehr.v22i42.18869