TÃO PERTO E TÃO LONGE: IDENTIFICANDO E INTERPRETANDO REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO MARAJÓ E DE BELÉM, INFLUENCIADAS PELAS POSIÇÕES LOCACIONAIS E SOCIAIS DOS PERSONAGENS DE DALCÍDIO JURANDIR
DOI :
https://doi.org/10.5418/RA2007.0303.0005Résumé
Neste artigo analisamos as representações sociais dos interiores - rurais e das cidades e apontamos por identificar e analisar as relações entre as idealizações sociais do Marajó oriental, polarizado por vila/cidade de Cachoeira, e da relativamente distante cidade capital do estado do Pará (parte da antiga província do Grão Pará), Belém. Tais representações mentais eram, de certa forma influenciadas pelas posições sociais, pelas localizações geográficas (no interior ou na capital) dos indivíduos representados e pelas pretensões de ascensão social dos personagens criados ou recriados nos romances de Dalcídio Jurandir (1909-1979). Nas obras por nós analisadas- Chove nos Campos de Cachoeira (1941), Três Casas e um Rio (1958) e Belém do Grão Pará (1960) – Jurandir retratou o período das primeiras décadas do século XX, pós-boom da economia da borracha, portanto, de relativa decadência que transformou os modos de vida (hábitos e costumes) de seus personagens emblemáticos, habitantes, principalmente, da cidade de Belém, anteriormente embelezada no contexto da Belle-Époque, sob a liderança do intendente municipal, depois Senador Antônio Lemos. A discussão das relações entre história, literatura, sociologia e geografia rural estão presentes, com ênfase dada ao debate sobre as noções de ruralidade e urbanidade, ambas vistas como modos de vida ou ideais de vida. Em suma, discutimos as interpretações de significados/leituras da realidade social influenciadas pelas circunstâncias históricas e geográficas, bem como, elo estado de espírito e ambições individuais e coletivas dos seus personagens
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