A territorialização do agronegócio e a inserção desigual do Cerrado goiano às redes globais extrativas
DOI:
https://doi.org/10.5418/ra2023.v19i40.17901Palavras-chave:
Agribusiness. Revolução verde. Modernização conservadora. Cerrado. Goiás.Resumo
A pesquisa realizada neste artigo interpreta a geografia e a história dos conceitos de agribusiness, revolução verde e modernização conservadora como ideias e estratégias políticas e ideológicas gestadas a partir dos centros de decisões econômicas do norte global. Demonstra, assim, como elas fundamentaram as bases da territorialização do agronegócio em territórios do sul global, como o Cerrado goiano, transformados em fronteira do capital extrativo e exportador de commodities. O desenvolvimento da pesquisa contou com pesquisa bibliográfica e levantamento de dados e informações disponibilizados em fontes como o ComexStat e Instituto Mauro Borges (IMB). Considera-se que as experiências de orientação de pesquisas, trabalhos de campo e atuação em projetos no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO), da Universidade Estadual de Goiás (UEG), contribuíram com os resultados sistematizados no decorrer do texto. Os resultados demonstram que a inserção desigual do Cerrado goiano às redes extrativas globais tem relação com a exportação de produtos primários como a soja. Isso
ilustra, ainda, que o modelo da economia agroexportadora representado pelo agronegócio não modifica a participação histórica de Goiás na divisão internacional do trabalho. Mantém-se a condição dependente
da economia exportadora de produtos primários e semielaborados que caracteriza territórios situados nas periferias extrativas do sul global.
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