Por um resgate das abordagens transicionais
a busca de um sentido narrativo para interpretar a evolução dos sistemas nacionais de assentamento
DOI:
https://doi.org/10.5418/ra2023.v19i38.16397Palavras-chave:
Abordagens transicionais, Realismo Perspectivista, Distribuição espacial da população, MigraçõesResumo
A partir da corrente epistemológica do “realismo perspectivista”, esse artigo defende a utilização de modelos teóricos transicionais como uma valiosa ferramenta analítica e hermenêutica para o estudo dos fenômenos e processos relacionados à distribuição espacial da população. Ao resgatar teorias e conceitos consagrados na literatura e associar mudanças nas taxas vitais e padrões migratórios com o desenvolvimento dos espaços econômicos nacionais, o modelo apresentado permite uma interpretação holística e dá um sentido narrativo à evolução dos sistemas nacionais de assentamento. Contrariando pressupostos do empirismo lógico, argumenta-se que modelos teóricos podem ser úteis mesmo quando não são empiricamente verdadeiros em todos os seus aspectos e que devem ser julgados em termos pragmáticos, não pela sua “verdade”, em um sentido absoluto ou metafísico. Para fins ilustrativos, o caso brasileiro é brevemente analisado à luz do modelo.
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