A geografia literária e a voz que vem dos trópicos
DOI:
https://doi.org/10.5418/ra2020.v16i31.12354Palavras-chave:
geografia e literatura, literatura austríaca, Robert Müller, filosofia, Ernst Cassirer.Resumo
A aproximação literatura e geografia, após um longo período do modelo disciplinar acadêmico ocidental, não é uma novidade a ser anunciada com premência. Se a geografia se propõe “escrever a Terra”, o faz também quando seu ato é velado. O texto literário (re)inventa espacialidades e congrega o espaço do pensamento geográfico. Proponho uma geografia literária baseada na filosofia universalizante de Ernst Cassirer, a partir de sua concepção das formas simbólicas. Entretanto, o foco geográfico se dá a partir do texto literário, fio condutor da “escrita” do espaço; apresenta os elementos materiais, que passam a existir por conta dessa escrita. O romance Tróp(ic)os. O mito da viagem (1915), do escritor Robert Müller (1887-1924), traz elementos teórico-metodológicos e emula o retorno do que Cassirer chamou “caos das impressões”, um espaço pré-linguístico de uma geografia apreendida ex negativo, e apresenta uma abordagem sólida para o diálogo entre geografia e literatura.
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