Por uma História com as mulheres indígenas: possibilidades para a historiografia da ditadura militar pela perspectiva decolonial
DOI:
https://doi.org/10.30612/frh.v27i49.20192Palavras-chave:
Indigenous Women; Historiography of the Military Dictatorship; Decolonial.Resumo
Este artigo busca refletir sobre o silenciamento das narrativas de mulheres, negros e indígenas no Brasil, no campo historiográfico e educacional, e a importância de caminharmos na construção de uma história a contrapelo (Benjamin, 1985) das tendências hegemônicas. É preciso que a historiografia incorpore as memórias e narrativas de diferentes temporalidades dos povos e sujeitos que sofreram o processo de colonização, exploração e subalternização pelo viés de abordagens anticoloniais, decoloniais e pós-coloniais para trazer à tona vozes que não tiveram espaço de escuta e possibilidades de contar a sua história. Essas abordagens críticas proporcionam uma visão plural da História, em que os sujeitos, ao narrarem suas trajetórias de vida, apresentam novos olhares e perspectivas outras, pois trazem consigo suas experiências vividas e subjetividades, marcadas muitas vezes, pela violência do jugo colonial, mas também por uma forte experiência de quem precisa lutar diariamente pela própria existência e (re)existência. Neste artigo, focamos especialmente na necessidade de uma escuta sensível e partilhas de narrativas com mulheres indígenas, para compreendermos as desigualdades sociais e as relações de poder que impactam seu modo de existir. Argumentamos, ainda, que a visibilidade de suas histórias pode contribuir para outras compreensões da ditadura militar, permitindo uma visão mais plural e diversa desse período marcado por violências de várias naturezas e por traumas coletivos. Consideramos, por fim, a contribuição do giro decolonial para a ampliação das visões no ato de ensinar e aprender sobre as diferentes culturas subalternizadas que estiveram presentes em vários momentos de lutas em nosso país.
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